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Tipo: Portugal
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Descrição
ALENTEJO - Legenda e Esperança.
Ilustrado no texto com desenhos, tabelas, esquemas, mapas e fac-símiles de documentos.
Autor:António Dias Lourenço
Edição: Caminho
Páginas: 199
Dimensões: 210x135 mm
Peso: 256
TX-A026-G286-0.96PR
Exemplar como novo
PREÇO: 23.00€
Acresce portes – Correio Editorial
"Alentejo - Legenda e Esperança" é uma obra de profunda densidade histórica, política e social, escrita por António Dias Lourenço (1915–2010), uma das figuras mais marcantes da resistência antifascista em Portugal e histórico dirigente do Partido Comunista Português (PCP). Publicado pela Editorial Caminho, o livro é tanto um testemunho militante como um retrato etnográfico e socioeconómico de uma das regiões mais fustigadas e, ao mesmo tempo, mais combativas do país.
Aqui fica um resumo alargado sobre os eixos centrais, o contexto e a relevância desta obra:
1. O Autor e o Contexto da Obra
Para compreender o livro, é essencial conhecer o autor. António Dias Lourenço passou décadas na clandestinidade e foi protagonista de uma das fugas mais espetaculares da história política portuguesa (da Fortaleza de Peniche, em 1954).
A sua ligação ao Alentejo não era meramente teórica; baseava-se no conhecimento direto do terreno e das populações. A publicação pela Editorial Caminho insere-se numa linha editorial fortemente ligada à memória histórica da resistência, à literatura de intervenção social e à análise da realidade portuguesa pós-Revolução de Abril.
2. Eixos Centrais do Livro
A obra divide-se conceptualmente entre a memória do passado (a Legenda) e a perspetiva de futuro (a Esperança), focando-se na vivência do campesinato alentejano.
A "Legenda": O Passado de Miséria e Opressão
Nesta vertente, o autor desconstrói o Alentejo idílico e romântico das "pistas de caça" e do latifúndio absolutista, revelando a dura realidade social que marcou a região durante o século XIX e grande parte do século XX (sobretudo durante o Estado Novo):
O Latifúndio e a Exploração: Dias Lourenço analisa como a concentração da terra nas mãos de poucos proprietários (os latifundiários) condenava a vasta maioria da população — os assalariados rurais e os "seareiros" — a uma pobreza extrema.
A Sazonalidade e a Fome: O livro retrata o drama do desemprego sazonal (os meses de "gosto" e os meses de miséria), onde as famílias dependiam da jorna para sobreviver, enfrentando a subnutrição crónica.
A Repressão: Descreve-se a aliança entre o poder económico dos grandes senhores da terra e o aparelho repressivo do Estado (a GNR e a PIDE), utilizada para esmagar qualquer tentativa de greve ou reivindicação por melhores salários ou pela jornada de 8 horas de trabalho.
A Resistência: A Alma da Região
Um dos pontos fortes da obra é a crónica da resistência popular. O Alentejo é apresentado como um bastião de solidariedade e coragem operária:
As greves históricas ceifeiras e dos assalariados agrícolas.
O papel das mulheres alentejanas, frequentemente na linha da frente dos protestos contra a fome e a opressão.
A organização clandestina que manteve viva a chama da contestação mesmo nos anos mais negros da ditadura.
A "Esperança": A Reforma Agrária e o Pós-25 de Abril
A segunda grande parte da obra foca-se na transformação radical que o Alentejo viveu após a Revolução dos Cravos. A Reforma Agrária é o coração desta "esperança":
A Conquista da Terra: O autor descreve com entusiasmo a constituição das UCP (Unidades Coletivas de Produção) e das cooperativas, onde os próprios trabalhadores assumiram a gestão das terras abandonadas ou subaproveitadas.
Dignidade Humana: O livro sublinha como a posse e o trabalho coletivo da terra devolveram a dignidade ao povo alentejano, erradicando o desemprego imediato e permitindo o acesso à educação, cultura e saúde.
A "Contra-Reforma": Dias Lourenço não esconde a amargura face ao processo subsequente de desmantelamento da Reforma Agrária por governos constitucionais mais conservadores, analisando o impacto negativo da devolução das terras aos antigos proprietários e o retrocesso social que isso significou para a região.
3. Estilo e Tom Narrativo
O estilo de António Dias Lourenço combina a análise político-ideológica (marcada pelo materialismo histórico) com uma forte carga humanista e poética. Não se trata apenas de um ensaio económico; há uma profunda sensibilidade na forma como descreve a paisagem, o cante alentejano, a solidão das planícies e a mística da solidariedade entre os trabalhadores rurais. O tom oscila entre a denúncia indignada das injustiças e o lirismo esperançoso no futuro daquela região.
4. Importância e Legado da Obra
Documento Histórico: É um documento fundamental para compreender a história social do Alentejo e o processo da Reforma Agrária, visto por dentro, por um dos seus defensores mais convictos.
Contraponto Narrativo: Serve como um contraponto essencial às narrativas oficiais que, após a década de 1980, menorizaram ou criticaram o processo de ocupação de terras.
Homenagem ao Povo: Acima de tudo, o livro é uma homenagem de Dias Lourenço ao "povo da terra", à sua resiliência histórica e à sua capacidade de sonhar e lutar por um mundo mais justo.
Em suma, Alentejo - Legenda e Esperança é uma leitura indispensável para quem quer compreender as raízes profundas da identidade social e política do Alentejo contemporâneo, as suas cicatrizes e o seu orgulho.
Ilustrado no texto com desenhos, tabelas, esquemas, mapas e fac-símiles de documentos.
Autor:António Dias Lourenço
Edição: Caminho
Páginas: 199
Dimensões: 210x135 mm
Peso: 256
TX-A026-G286-0.96PR
Exemplar como novo
PREÇO: 23.00€
Acresce portes – Correio Editorial
"Alentejo - Legenda e Esperança" é uma obra de profunda densidade histórica, política e social, escrita por António Dias Lourenço (1915–2010), uma das figuras mais marcantes da resistência antifascista em Portugal e histórico dirigente do Partido Comunista Português (PCP). Publicado pela Editorial Caminho, o livro é tanto um testemunho militante como um retrato etnográfico e socioeconómico de uma das regiões mais fustigadas e, ao mesmo tempo, mais combativas do país.
Aqui fica um resumo alargado sobre os eixos centrais, o contexto e a relevância desta obra:
1. O Autor e o Contexto da Obra
Para compreender o livro, é essencial conhecer o autor. António Dias Lourenço passou décadas na clandestinidade e foi protagonista de uma das fugas mais espetaculares da história política portuguesa (da Fortaleza de Peniche, em 1954).
A sua ligação ao Alentejo não era meramente teórica; baseava-se no conhecimento direto do terreno e das populações. A publicação pela Editorial Caminho insere-se numa linha editorial fortemente ligada à memória histórica da resistência, à literatura de intervenção social e à análise da realidade portuguesa pós-Revolução de Abril.
2. Eixos Centrais do Livro
A obra divide-se conceptualmente entre a memória do passado (a Legenda) e a perspetiva de futuro (a Esperança), focando-se na vivência do campesinato alentejano.
A "Legenda": O Passado de Miséria e Opressão
Nesta vertente, o autor desconstrói o Alentejo idílico e romântico das "pistas de caça" e do latifúndio absolutista, revelando a dura realidade social que marcou a região durante o século XIX e grande parte do século XX (sobretudo durante o Estado Novo):
O Latifúndio e a Exploração: Dias Lourenço analisa como a concentração da terra nas mãos de poucos proprietários (os latifundiários) condenava a vasta maioria da população — os assalariados rurais e os "seareiros" — a uma pobreza extrema.
A Sazonalidade e a Fome: O livro retrata o drama do desemprego sazonal (os meses de "gosto" e os meses de miséria), onde as famílias dependiam da jorna para sobreviver, enfrentando a subnutrição crónica.
A Repressão: Descreve-se a aliança entre o poder económico dos grandes senhores da terra e o aparelho repressivo do Estado (a GNR e a PIDE), utilizada para esmagar qualquer tentativa de greve ou reivindicação por melhores salários ou pela jornada de 8 horas de trabalho.
A Resistência: A Alma da Região
Um dos pontos fortes da obra é a crónica da resistência popular. O Alentejo é apresentado como um bastião de solidariedade e coragem operária:
As greves históricas ceifeiras e dos assalariados agrícolas.
O papel das mulheres alentejanas, frequentemente na linha da frente dos protestos contra a fome e a opressão.
A organização clandestina que manteve viva a chama da contestação mesmo nos anos mais negros da ditadura.
A "Esperança": A Reforma Agrária e o Pós-25 de Abril
A segunda grande parte da obra foca-se na transformação radical que o Alentejo viveu após a Revolução dos Cravos. A Reforma Agrária é o coração desta "esperança":
A Conquista da Terra: O autor descreve com entusiasmo a constituição das UCP (Unidades Coletivas de Produção) e das cooperativas, onde os próprios trabalhadores assumiram a gestão das terras abandonadas ou subaproveitadas.
Dignidade Humana: O livro sublinha como a posse e o trabalho coletivo da terra devolveram a dignidade ao povo alentejano, erradicando o desemprego imediato e permitindo o acesso à educação, cultura e saúde.
A "Contra-Reforma": Dias Lourenço não esconde a amargura face ao processo subsequente de desmantelamento da Reforma Agrária por governos constitucionais mais conservadores, analisando o impacto negativo da devolução das terras aos antigos proprietários e o retrocesso social que isso significou para a região.
3. Estilo e Tom Narrativo
O estilo de António Dias Lourenço combina a análise político-ideológica (marcada pelo materialismo histórico) com uma forte carga humanista e poética. Não se trata apenas de um ensaio económico; há uma profunda sensibilidade na forma como descreve a paisagem, o cante alentejano, a solidão das planícies e a mística da solidariedade entre os trabalhadores rurais. O tom oscila entre a denúncia indignada das injustiças e o lirismo esperançoso no futuro daquela região.
4. Importância e Legado da Obra
Documento Histórico: É um documento fundamental para compreender a história social do Alentejo e o processo da Reforma Agrária, visto por dentro, por um dos seus defensores mais convictos.
Contraponto Narrativo: Serve como um contraponto essencial às narrativas oficiais que, após a década de 1980, menorizaram ou criticaram o processo de ocupação de terras.
Homenagem ao Povo: Acima de tudo, o livro é uma homenagem de Dias Lourenço ao "povo da terra", à sua resiliência histórica e à sua capacidade de sonhar e lutar por um mundo mais justo.
Em suma, Alentejo - Legenda e Esperança é uma leitura indispensável para quem quer compreender as raízes profundas da identidade social e política do Alentejo contemporâneo, as suas cicatrizes e o seu orgulho.
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Publicado 18 de maio de 2026
Alentejo - Legenda e Esperança. António Dias Lourenço
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