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Descrição
Caetano Veloso - Verdade Tropical
Edição Companhia das Letras de 1997
Contém sublinhados a amarelo em apenas 5 das suas 528 páginas
Nesta Verdade tropical, o centro da atenção de Caetano Veloso é o tropicalismo - seus pontos de partida afetivos e intelectuais; seus protagonistas; o modo como foi percebido por uma geração que cantava música popular apaixonadamente, como quem toma partido; as visões do Brasil delineadas a partir dele; as formas que encontrou de se desdobrar ao longo do tempo.
Mas Caetano fala diretamente de si mesmo, transformando a relação com a música num roteiro de sua vida pessoal. Assim, no capitulo "Narciso em férias", ele relembra os dois meses em que ficou preso, na passagem de 68 para 69. Conta, por exemplo, como teve a chance de evitar a prisão de Gilberto Gil e não soube fazê-lo; descreve seu sono irremediável e o modo como vivenciou o erotismo naquele confinamento entre homens; explica as tais fotografias da Terra que viu numa revista de variedades; narra sem pressa uma situação que hoje lhe inspira "um misto de humor e nojo": no pátio do quartel dos pára-quedistas, sob "um sol brutal, com um cano de metralhadora ás costas, eu cantava suavemente para o oficial de dia".
Caetano estende uma linha cronológica a partir da infância e da adolescência em Santo Amaro, e, embora se concentrando no período que vai até meados da década de 70, chega até o momento em que terminou de escrever este livro, em julho de 97.
De um extremo ao outro os temas se multiplicam: as relações familiares; a ditadura, o exílio em Londres; leituras decisivas e preferências literárias; o sexo, a experiência com as drogas: Gil, Bethânia e Gal; João Gilberto e a bossa nova: rock'n'roll e samba; Chico Buarque; Glauber, Cinema Novo e amor ao cinema; projetos estéticos das décadas de 60 e 70; os festivais e os programas de auditório, a velha Record; o teatro de Zé Celso e o de Boal; o diálogo com os concretistas; a contracultura de Zé Agrippino; Beatles e Mutantes; Rio, São Paulo e Salvador, etc.
Sem ser uma autobiografia, Verdade tropical é Caetano Veloso por ele mesmo. Pode ser a MPB por ela mesma ou nossos trópicos por um tropicalista, por um brasileiro músico, por um compositor brasileiro que aqui faz do tempo a torre mais alta do seu observatório.
É a primeira vez que ele usa longamente a escrita. De muitas maneiras, entretanto, conhecemos de perto o autor de Verdade tropical: suas canções misturam-se ás nossas experiências, traduzem nossa vontade de amor e de protesto, sugerem o tom e o pulso de certas danças ocultas dentro de nós. Neste livro está intacta sua capacidade de nos provocar, de nos pôr em movimento com seu ouvido inquieto, com a vitalidade de sua imaginação reflexiva, com uma forma própria de falar a língua portuguesa.
Edição Companhia das Letras de 1997
Contém sublinhados a amarelo em apenas 5 das suas 528 páginas
Nesta Verdade tropical, o centro da atenção de Caetano Veloso é o tropicalismo - seus pontos de partida afetivos e intelectuais; seus protagonistas; o modo como foi percebido por uma geração que cantava música popular apaixonadamente, como quem toma partido; as visões do Brasil delineadas a partir dele; as formas que encontrou de se desdobrar ao longo do tempo.
Mas Caetano fala diretamente de si mesmo, transformando a relação com a música num roteiro de sua vida pessoal. Assim, no capitulo "Narciso em férias", ele relembra os dois meses em que ficou preso, na passagem de 68 para 69. Conta, por exemplo, como teve a chance de evitar a prisão de Gilberto Gil e não soube fazê-lo; descreve seu sono irremediável e o modo como vivenciou o erotismo naquele confinamento entre homens; explica as tais fotografias da Terra que viu numa revista de variedades; narra sem pressa uma situação que hoje lhe inspira "um misto de humor e nojo": no pátio do quartel dos pára-quedistas, sob "um sol brutal, com um cano de metralhadora ás costas, eu cantava suavemente para o oficial de dia".
Caetano estende uma linha cronológica a partir da infância e da adolescência em Santo Amaro, e, embora se concentrando no período que vai até meados da década de 70, chega até o momento em que terminou de escrever este livro, em julho de 97.
De um extremo ao outro os temas se multiplicam: as relações familiares; a ditadura, o exílio em Londres; leituras decisivas e preferências literárias; o sexo, a experiência com as drogas: Gil, Bethânia e Gal; João Gilberto e a bossa nova: rock'n'roll e samba; Chico Buarque; Glauber, Cinema Novo e amor ao cinema; projetos estéticos das décadas de 60 e 70; os festivais e os programas de auditório, a velha Record; o teatro de Zé Celso e o de Boal; o diálogo com os concretistas; a contracultura de Zé Agrippino; Beatles e Mutantes; Rio, São Paulo e Salvador, etc.
Sem ser uma autobiografia, Verdade tropical é Caetano Veloso por ele mesmo. Pode ser a MPB por ela mesma ou nossos trópicos por um tropicalista, por um brasileiro músico, por um compositor brasileiro que aqui faz do tempo a torre mais alta do seu observatório.
É a primeira vez que ele usa longamente a escrita. De muitas maneiras, entretanto, conhecemos de perto o autor de Verdade tropical: suas canções misturam-se ás nossas experiências, traduzem nossa vontade de amor e de protesto, sugerem o tom e o pulso de certas danças ocultas dentro de nós. Neste livro está intacta sua capacidade de nos provocar, de nos pôr em movimento com seu ouvido inquieto, com a vitalidade de sua imaginação reflexiva, com uma forma própria de falar a língua portuguesa.
ID: 673059520
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Publicado 26 de agosto de 2026
Caetano Veloso - Verdade Tropical
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