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Descrição
Cartas de Jack London
Edição Antígona de 2001
Tradução e notas de Ana Barradas
Quando eu tinha dez anos, vendia jornais na rua. A partir daí, sempre ganhei a minha vida. Aos 15 anos saí de casa e passei a governar-me sozinho. Fiz muito trabalho braçal de diversa ordem. Cheguei à juventude sem ter estudado verdadeiramente. Quando comecei a escrever não tinha quaisquer concepções artísticas. Por isso fui sobretudo autodidacta nos últimos anos, ao mesmo tempo que aprendia a escrever e, além disso, tentava viver da escrita. Quando regressei do Klondike o meu pai tinha mor- rido e a minha mãe estava cheia de dívidas. Eu era um jovem impulsivo, incapaz de me prender a um casamento. No entanto, vi-me a braços com uma casa a cargo. Pus-me ao trabalho e comecei a escrever para sustentar essa casa, estudando ao mesmo tempo. Amarrado a uma casa, resolvi ter as compensações de quem tem casa, e foi assim que me casei, alargando a família e o peso das minhas amarras. Mas nunca o lamentei. Fui bem recompensado... Seja como for, em consequência disto, só tenho como rendimentos aquilo que ganho com o que escrevo dia a dia e as contas para pagar são maiores e mais prementes do que seriam se eu estivesse só no mundo.
Jack London, apesar da sua curta vida, deixou milhares de cartas, tendo despendido longas horas em trabalho epistolar. Escritas entre 1897 e 1916 até um mês antes da sua morte, a correspondência de London desvenda o retrato de um homem confiante e sensível, com rasgos de grande coragem e generosidade, mas também ferozmente obstinado e capaz de uma franqueza brutal.
Reflectindo as contrariedades de uma era dinâmica de milagres tecnológicos e profunda instabilidade cultural e espiritual, estas cartas levam-nos a uma viagem pela América do Big Business, dos novos meios de massas, revelando a imagem mítica que London cultivava de si mesmo, a sua capacidade de autopromoção e luta pela sobrevivência e o respeito que sempre demonstrou pelos valores da amizade. Implacável com os editores, tomando-os como pessoas sem escrúpulos e em quem não deposita confiança, mantém no entanto uma relação com George P. Brett, presidente da Macmillan Company durante quinze anos.
Edição Antígona de 2001
Tradução e notas de Ana Barradas
Quando eu tinha dez anos, vendia jornais na rua. A partir daí, sempre ganhei a minha vida. Aos 15 anos saí de casa e passei a governar-me sozinho. Fiz muito trabalho braçal de diversa ordem. Cheguei à juventude sem ter estudado verdadeiramente. Quando comecei a escrever não tinha quaisquer concepções artísticas. Por isso fui sobretudo autodidacta nos últimos anos, ao mesmo tempo que aprendia a escrever e, além disso, tentava viver da escrita. Quando regressei do Klondike o meu pai tinha mor- rido e a minha mãe estava cheia de dívidas. Eu era um jovem impulsivo, incapaz de me prender a um casamento. No entanto, vi-me a braços com uma casa a cargo. Pus-me ao trabalho e comecei a escrever para sustentar essa casa, estudando ao mesmo tempo. Amarrado a uma casa, resolvi ter as compensações de quem tem casa, e foi assim que me casei, alargando a família e o peso das minhas amarras. Mas nunca o lamentei. Fui bem recompensado... Seja como for, em consequência disto, só tenho como rendimentos aquilo que ganho com o que escrevo dia a dia e as contas para pagar são maiores e mais prementes do que seriam se eu estivesse só no mundo.
Jack London, apesar da sua curta vida, deixou milhares de cartas, tendo despendido longas horas em trabalho epistolar. Escritas entre 1897 e 1916 até um mês antes da sua morte, a correspondência de London desvenda o retrato de um homem confiante e sensível, com rasgos de grande coragem e generosidade, mas também ferozmente obstinado e capaz de uma franqueza brutal.
Reflectindo as contrariedades de uma era dinâmica de milagres tecnológicos e profunda instabilidade cultural e espiritual, estas cartas levam-nos a uma viagem pela América do Big Business, dos novos meios de massas, revelando a imagem mítica que London cultivava de si mesmo, a sua capacidade de autopromoção e luta pela sobrevivência e o respeito que sempre demonstrou pelos valores da amizade. Implacável com os editores, tomando-os como pessoas sem escrúpulos e em quem não deposita confiança, mantém no entanto uma relação com George P. Brett, presidente da Macmillan Company durante quinze anos.
ID: 669458949
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Publicado 19 de junho de 2026
Cartas de Jack London
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