Particular
Tipo: Portugal
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Descrição
D. LUÍS –
Luís Nuno Espinha da Silveira - Paulo Jorge Fernandes
Edição: Círculo de Leitores
Coleção – Reis de Portugal
ISBN:9789724236582
Páginas:
Dimensões: 245x160
Encadernação: Capa dura
Peso: 712
TX-A026-G742-2.08PR
EXEMPLAR COMO NOVO embalado no plástico original
PREÇO: 8.00€
Acresce portes –Correio Editorial
A biografia de D. Luís I, escrita a quatro mãos por Luís Nuno Espinha da Silveira e Paulo Jorge Fernandes, constitui um dos volumes mais equilibrados e esclarecedores da coleção Reis de Portugal. Afastando-se tanto da hagiografia (a idealização do monarca) como do preconceito republicano que historicamente menorizou o penúltimo rei constitucional, a obra oferece um retrato tridimensional de um homem que não nasceu para reinar, mas que acabou por governar Portugal num dos seus períodos de maior transformação e acalmia política: o Fontismo e a Regeneração.
Os autores utilizam uma sólida base documental para contextualizar a ação de D. Luís, cruzando a mundividência íntima do monarca com as profundas alterações socioeconómicas, tecnológicas e diplomáticas que desenharam o Portugal da segunda metade do século XIX.
Estrutura Narrativa e Grandes Eixos Temáticos
O livro divide-se analiticamente em quatro grandes dimensões que explicam a vida e o legado do monarca:
1. O Rei Acidental e a Formação Humanista
D. Luís não foi educado para ser rei. O herdeiro da coroa era o seu irmão mais velho, D. Pedro V. Enquanto o irmão recebia uma educação rigidamente orientada para o Estado, D. Luís desenvolveu uma carreira na Marinha Real e cultivou um amor profundo pelas artes, pela música (era um violoncelista exímio) e pelas línguas, traduzindo mais tarde várias obras de Shakespeare para português.
A morte trágica e súbita de D. Pedro V, em 1861, vítima de febre tifoide, empurrou um jovem D. Luís, de 23 anos, para um trono em sofrimento e sob a desconfiança de uma opinião pública assolada pelo luto. A obra retrata com precisão este choque psicológico e a transição abrupta do "marujo" para o "chefe de Estado".
2. "O Popular": O Monarca Constitucional Perfeito
Uma das teses centrais dos autores é a de que D. Luís foi o modelo ideal do monarca constitucional e parlamentar. Ao contrário do seu irmão D. Pedro V, que tendia a intervir de forma direta e moralizadora na política, D. Luís adotou uma postura de estrita neutralidade. Compreendeu que, no sistema da Carta Constitucional, o rei devia exercer o "Poder Moderador" como um árbitro, e não como um jogador.
Foi sob o seu longo reinado (1861–1889) que o rotativismo partidário entre o Partido Regenerador e o Partido Progressista se consolidou, garantindo uma estabilidade política quase inédita no século XIX português. Esta postura valeu-lhe o epíteto de "O Popular" e, mais tarde, de "O Bom", pela sua tolerância, respeito pelas liberdades civis e recusa em usar a força contra os seus opositores.
3. A Modernização Material: O Fontismo
A biografia dedica um espaço considerável ao progresso material do país durante este reinado. Sob a liderança executiva de Fontes Pereira de Melo, Portugal viveu a febre do desenvolvimento:
A expansão acelerada da rede ferroviária e das estradas.
A instalação do telégrafo e a modernização dos portos.
A abolição definitiva da pena de morte para crimes civis (1867) e da escravatura no ultramar (1869).
A reforma do Código Civil (1867), da autoria de Seabra.
Os autores demonstram como D. Luís, embora pessoalmente distante do pântano das intrigas partidárias, foi um entusiasta e um facilitador diplomático e político desta modernização, que visava aproximar Portugal dos padrões europeus.
4. A Política Externa e o Império Africano
O reinado de D. Luís coincide com a transição da geopolítica europeia para o imperialismo e a "Partilha de África". Os autores analisam com detalhe os desafios diplomáticos enfrentados pelo monarca, casado com a italiana D. Maria Pia de Saboia (ligação que inseria Portugal nas dinâmicas das grandes cortes europeias).
É neste período que Portugal reorienta os seus esforços coloniais do Brasil para a África subsariana, impulsionando as grandes viagens de exploração científica e geográfica de Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo e Serpa Pinto. A obra explora como o rei apoiou estas missões, que lançaram as bases para o projeto do "Mapa Cor-de-Rosa", embora o desfecho dramático dessa ambição (o Ultimato Britânico de 1890) já só tenha sido vivido pelo seu filho, D. Carlos.
Conclusão e Contributo Historiográfico
Luís Nuno Espinha da Silveira e Paulo Jorge Fernandes concluem que o balanço do reinado de D. Luís é amplamente positivo, contrariando a imagem de uma figura "apagada" ou "vítima das circunstâncias".
D. Luís foi o garante da paz social e da transição de um Portugal velho e fustigado pelas guerras civis liberais para um país moderno, infraestruturado e integrado na modernidade oitocentista. O seu maior triunfo foi saber ler o seu tempo: num século de revoluções, ele percebeu que o segredo da sobrevivência da monarquia residia na sua capacidade de não incomodar o parlamento e de se fazer amar pelo povo através da moderação e da cultura.
Uma biografia essencial, escrita com rigor académico mas perfeitamente acessível ao grande público, indispensável para compreender a consolidação do liberalismo em Portugal.
Luís Nuno Espinha da Silveira - Paulo Jorge Fernandes
Edição: Círculo de Leitores
Coleção – Reis de Portugal
ISBN:9789724236582
Páginas:
Dimensões: 245x160
Encadernação: Capa dura
Peso: 712
TX-A026-G742-2.08PR
EXEMPLAR COMO NOVO embalado no plástico original
PREÇO: 8.00€
Acresce portes –Correio Editorial
A biografia de D. Luís I, escrita a quatro mãos por Luís Nuno Espinha da Silveira e Paulo Jorge Fernandes, constitui um dos volumes mais equilibrados e esclarecedores da coleção Reis de Portugal. Afastando-se tanto da hagiografia (a idealização do monarca) como do preconceito republicano que historicamente menorizou o penúltimo rei constitucional, a obra oferece um retrato tridimensional de um homem que não nasceu para reinar, mas que acabou por governar Portugal num dos seus períodos de maior transformação e acalmia política: o Fontismo e a Regeneração.
Os autores utilizam uma sólida base documental para contextualizar a ação de D. Luís, cruzando a mundividência íntima do monarca com as profundas alterações socioeconómicas, tecnológicas e diplomáticas que desenharam o Portugal da segunda metade do século XIX.
Estrutura Narrativa e Grandes Eixos Temáticos
O livro divide-se analiticamente em quatro grandes dimensões que explicam a vida e o legado do monarca:
1. O Rei Acidental e a Formação Humanista
D. Luís não foi educado para ser rei. O herdeiro da coroa era o seu irmão mais velho, D. Pedro V. Enquanto o irmão recebia uma educação rigidamente orientada para o Estado, D. Luís desenvolveu uma carreira na Marinha Real e cultivou um amor profundo pelas artes, pela música (era um violoncelista exímio) e pelas línguas, traduzindo mais tarde várias obras de Shakespeare para português.
A morte trágica e súbita de D. Pedro V, em 1861, vítima de febre tifoide, empurrou um jovem D. Luís, de 23 anos, para um trono em sofrimento e sob a desconfiança de uma opinião pública assolada pelo luto. A obra retrata com precisão este choque psicológico e a transição abrupta do "marujo" para o "chefe de Estado".
2. "O Popular": O Monarca Constitucional Perfeito
Uma das teses centrais dos autores é a de que D. Luís foi o modelo ideal do monarca constitucional e parlamentar. Ao contrário do seu irmão D. Pedro V, que tendia a intervir de forma direta e moralizadora na política, D. Luís adotou uma postura de estrita neutralidade. Compreendeu que, no sistema da Carta Constitucional, o rei devia exercer o "Poder Moderador" como um árbitro, e não como um jogador.
Foi sob o seu longo reinado (1861–1889) que o rotativismo partidário entre o Partido Regenerador e o Partido Progressista se consolidou, garantindo uma estabilidade política quase inédita no século XIX português. Esta postura valeu-lhe o epíteto de "O Popular" e, mais tarde, de "O Bom", pela sua tolerância, respeito pelas liberdades civis e recusa em usar a força contra os seus opositores.
3. A Modernização Material: O Fontismo
A biografia dedica um espaço considerável ao progresso material do país durante este reinado. Sob a liderança executiva de Fontes Pereira de Melo, Portugal viveu a febre do desenvolvimento:
A expansão acelerada da rede ferroviária e das estradas.
A instalação do telégrafo e a modernização dos portos.
A abolição definitiva da pena de morte para crimes civis (1867) e da escravatura no ultramar (1869).
A reforma do Código Civil (1867), da autoria de Seabra.
Os autores demonstram como D. Luís, embora pessoalmente distante do pântano das intrigas partidárias, foi um entusiasta e um facilitador diplomático e político desta modernização, que visava aproximar Portugal dos padrões europeus.
4. A Política Externa e o Império Africano
O reinado de D. Luís coincide com a transição da geopolítica europeia para o imperialismo e a "Partilha de África". Os autores analisam com detalhe os desafios diplomáticos enfrentados pelo monarca, casado com a italiana D. Maria Pia de Saboia (ligação que inseria Portugal nas dinâmicas das grandes cortes europeias).
É neste período que Portugal reorienta os seus esforços coloniais do Brasil para a África subsariana, impulsionando as grandes viagens de exploração científica e geográfica de Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo e Serpa Pinto. A obra explora como o rei apoiou estas missões, que lançaram as bases para o projeto do "Mapa Cor-de-Rosa", embora o desfecho dramático dessa ambição (o Ultimato Britânico de 1890) já só tenha sido vivido pelo seu filho, D. Carlos.
Conclusão e Contributo Historiográfico
Luís Nuno Espinha da Silveira e Paulo Jorge Fernandes concluem que o balanço do reinado de D. Luís é amplamente positivo, contrariando a imagem de uma figura "apagada" ou "vítima das circunstâncias".
D. Luís foi o garante da paz social e da transição de um Portugal velho e fustigado pelas guerras civis liberais para um país moderno, infraestruturado e integrado na modernidade oitocentista. O seu maior triunfo foi saber ler o seu tempo: num século de revoluções, ele percebeu que o segredo da sobrevivência da monarquia residia na sua capacidade de não incomodar o parlamento e de se fazer amar pelo povo através da moderação e da cultura.
Uma biografia essencial, escrita com rigor académico mas perfeitamente acessível ao grande público, indispensável para compreender a consolidação do liberalismo em Portugal.
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Publicado 02 de julho de 2026
D. Luís - Luís Nuno Espinha da Silveira - Paulo Jorge Fernandes
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