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Descrição
Carlos Emanuel II de Saboia, Maria Francisca de Saboia, Rainha de Portugal, e Juan Domingo de Zúñiga - Nicolas de Larmessin (1632–1694) - Espelho de parede - França - Barroco - 19th century. Grande espelho com três gravuras originais do século XVII de Nicolas de Larmessin - Carlos Emanuel II de Saboia, Maria Francisca de Saboia, Rainha de Portugal, e Juan Domingo de Zúñiga - Paris, 1665– 1687. Grande espelho decorativo em madeira pintada em tom branco/creme, de superfície deliberadamente ou naturalmente desgastada, deixando visíveis diversas zonas da madeira e de antigas camadas de acabamento. A estrutura, de formato retangular vertical, apresenta na metade inferior uma ampla placa de espelho, enquadrada por molduração simples, e na parte superior um compartimento horizontal contendo três retratos gravados em cobre, a buril, do século XVII, montados lado a lado e protegidos por vidro. As três estampas pertencem ao universo da produção do célebre gravador francês Nicolas de Larmessin (1632–1694), membro de uma importante família parisiense de gravadores e editores de retratos. O nome surge na bibliografia tanto como Nicolas I de Larmessin como Nicolas II de Larmessin, dependendo do sistema genealógico utilizado pelos diferentes museus e catálogos. As gravuras foram produzidas em Paris, estando relacionadas com o editor Pierre Bertrand, estabelecido na Rue Saint-Jacques, à la Pomme d'Or, près Saint-Séverin, endereço editorial que aparece em exemplares desta série. Dimensões totais: 130 × 80 cm. 1. D. Juan Domingo de Zúñiga y Fonseca - Retrato da esquerda - A inscrição permite identificar inequivocamente o retratado como: D. Jean Dominique de Zuniga et Fonseca ou, em castelhano, Juan Domingo de Zúñiga y Fonseca (1640–1716). O retrato apresenta o aristocrata de busto, de longa cabeleira encaracolada, envergando armadura e rico traje de aparato. A inscrição francesa identifica-o através dos seus títulos, entre os quais são legíveis ou documentalmente confirmáveis: “D. Jean Dominique de Zuniga et Fonseca” e referências a: Comte de Monterey et de Fuentes, Marquis de Tarazona, Baron de Maldeghem, e ao exercício das funções de Gouverneur et Lieutenant Général pour Sa Majesté aux Pays-Bas. Trata-se de Juan Domingo de Zúñiga y Fonseca, importante aristocrata e estadista espanhol, associado ao governo dos Países Baixos espanhóis. O mesmo retrato de Larmessin encontra-se comercial e bibliograficamente identificado como uma gravura original parisiense de cerca de 1680. A composição é rematada inferiormente por armas heráldicas e extensa legenda biográfica, como era característico das séries de retratos de grandes personalidades europeias publicadas em Paris na segunda metade do século XVII. Autor: Nicolas de Larmessin. Editor: Pierre Bertrand. Local: Paris. Data: cerca de 1680. Técnica: gravura a buril sobre papel. Período: século XVII. 2. Carlos Emanuel II, Duque de Saboia - Retrato central - A segunda gravura representa: Charles Emanuel II de Savoie - Carlos Emanuel II, Duque de Saboia (1634–1675). A identificação é particularmente segura porque existe um exemplar desta mesma composição nas coleções da Royal Collection, descrito como Charles Emanuel (II, Duke of Savoy) e datado de 1665, gravado por Larmessin. O British Museum também regista esta estampa, atribuindo-a a Nicolas de Larmessin, com publicação por Pierre Bertrand em Paris em 1665. No exemplar vê-se o jovem duque de busto, com: longa cabeleira encaracolada; armadura de aparato; grande gravata/renda; corrente e insígnia; retrato inscrito numa moldura oval; laços ornamentais na parte superior; brasão da Casa de Saboia na parte inferior. A inscrição começa por: “CHARLES EMANVEL” e enumera vários dos títulos soberanos da Casa de Saboia, incluindo referências a Duc de Savoye, Prince de Piedmont, aos territórios de Saboia e ao título de Roi de Chypre. A legenda biográfica refere ainda o nascimento do príncipe em Turim, em 20 de junho de 1634, a sucessão sob a regência da mãe e a posterior assunção do governo. É uma gravura conhecida de 1665. Exemplares independentes da mesma estampa são catalogados como gravuras originais de Nicolas de Larmessin, publicadas por Bertrand em Paris. Autor: Nicolas de Larmessin. Editor: Pierre Bertrand. Local: Paris. Data: 1665. Técnica: gravura a buril sobre papel. Retratado: Carlos Emanuel II de Saboia (1634–1675). 3. Maria Francisca Isabel de Saboia, Rainha de Portugal - Retrato da direita - Esta é, para o mercado português, provavelmente a gravura de maior interesse histórico do conjunto. A inscrição identifica: Louise Marie Françoise de Savoye - Reyne de Portugal et des Algarbes - ou seja: D. Maria Francisca Isabel de Saboia (1646–1683), Rainha de Portugal. Trata-se de uma gravura conhecida de Nicolas de Larmessin, da qual está documentado um exemplar datado de 1687. A extensa legenda francesa abaixo do retrato fornece dados genealógicos e biográficos. Identifica-a como filha de Carlos Amadeu de Saboia-Nemours e descreve a sua ligação à Coroa portuguesa: o primeiro casamento com D. Afonso VI, a anulação desse matrimónio e o posterior casamento com o seu cunhado, o futuro D. Pedro II de Portugal. O catálogo patrimonial italiano que conserva outro exemplar desta estampa transcreve precisamente a identificação “Louise Marie Françoise de Savoye, Reyne de Portugal & des Algarbes”, atribui a gravura a Nicolas de Larmessin e confirma a técnica de buril sobre papel. O retrato mostra a rainha de busto, ricamente trajada, com: vestido cortesão; pérolas; joalharia; elaborada cabeleira em caracóis; retrato oval; laços decorativos; brasão coroado de Portugal e Saboia na zona inferior. Na própria chapa é igualmente visível a referência a De Larmessin. Na zona inferior surge a habitual indicação editorial parisiense ligada a Pierre Bertrand, Rue Saint-Jacques, junto de Saint-Séverin, e a fórmula de privilégio régio utilizada nas edições francesas da época. Autor: Nicolas de Larmessin. Local: Paris. Data do exemplar documentado desta composição: 1687. Técnica: gravura a buril sobre papel. Retratada: D. Maria Francisca Isabel de Saboia (1646–1683), Rainha de Portugal. Particular interesse histórico do conjunto - É interessante que os três retratos não sejam imagens puramente decorativas, mas retratos biográficos e heráldicos da segunda metade do século XVII, produzidos dentro da grande tradição francesa de séries de personalidades europeias. A presença conjunta de Carlos Emanuel II de Saboia e Maria Francisca de Saboia reforça a coerência dinástica do conjunto. A terceira estampa, de Juan Domingo de Zúñiga y Fonseca, introduz a esfera político-militar da Monarquia Hispânica e dos Países Baixos espanhóis. As três têm composição gráfica muito semelhante: retrato oval, fita ornamental superior, armas heráldicas e extensa legenda biográfica inferior. Isso torna o trio visualmente coerente, embora não seja possível afirmar que as três foram originalmente comercializadas como um conjunto. Moldura e construção - A moldura atualmente existente é de madeira, de grandes dimensões, constituída por várias tábuas e molduras aplicadas. Apresenta acabamento branco/creme fortemente desgastado, com perdas da camada pictórica, madeira exposta, manchas e escurecimentos, marcas de utilização e antigas fixações, fissuras e separações naturais entre algumas das tábuas, molduras interiores em madeira mais escura, com vestígios de acabamento antigo. O reverso revela claramente uma construção em tábuas verticais, estabilizadas por travessas horizontais, com diversas marcas de montagem, orifícios e vestígios de antigas intervenções. Moldura/estrutura antiga de madeira, de datação posterior ou não determinada, incorporando três gravuras francesas originais do século XVII. Estado de conservação: As gravuras apresentam estado de conservação frágil e bastante marcado pelo tempo. Observam-se: forte amarelecimento e oxidação do papel; manchas de humidade; escurecimentos; foxing; vincos; fissuras; pequenos rasgos e perdas; abrasões; manchas e depósitos superficiais; áreas de aderência e deformação do papel; zonas onde a leitura da legenda está parcialmente comprometida. A gravura de Juan Domingo de Zúñiga parece apresentar deterioração particularmente significativa em algumas zonas centrais; a de Maria Francisca de Saboia também apresenta perdas e manchas extensas A moldura apresenta igualmente numerosas perdas de pintura, desgaste, manchas e antigas intervenções. As gravuras não foram examinadas fora da moldura, pelo que não é possível avaliar integralmente o verso do papel.
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