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Tipo: Poesia
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Descrição
"Fronteira Azul Carregada de Futuro"
de A. Vicente Campinas
1ª Edição de 1984
Edição do Autor
94 Páginas
TERCEIRA IDADE
Muito aprecia o sol nado
quem já chegou ao inverno.
A mudança só existe
na palma de cada mão.
Mas se o sol queima a lembrança
dos dias idos do outono
a cinza fria do medo
mata mais que o abandono.
A maturidade estende
o tempo não inventado.
Mas nunca destrói o muro
sem estarmos no outro lado...
Vinga-se a idade no sol
que vem de quentinho quente
anichar-se em cada espanto
que foi raiz e semente.
Quando a existência se alonga
na curta vida de alguém
as quatro estações do ano
têm milhões de dores têm.
Só aprecia o sol nado
quem não fez da noite dia.
A melodia do tempo
chova ou não é melodia.
O inverno dos anos tem
sede ainda de mais anos.
Só o muro do silêncio
se abate com os desenganos.
Chegaste à terceira idade
sombra minha meus amores.
Muito se aprecia o sol
na noite feita de dores.
Se o frio da idade se aquece
prende-se ao calor da idade.
Ser velho é ter vivido
mais sonhos que o permitido.
---
António Vicente Campinas
A. Vicente Campinas [Vila Nova de Cacela, 1910 - Vila Real de Santo António, 1998]
Poeta, ficcionista e jornalista profissional. De 1937 a 1939 dirigiu o semanário Foz do Guadiana, suspenso pela censura de Salazar. Dirigiu igualmente o quinzenário Jornal de Cinema. Colaborou nos jornais regionais: Jornal do Algarve, Correio do Sul, Barlavento, O Algarve, A Planície, Bandarra, Gazeta do Sul e Notícias da Amadora, Diário do Sul, Diário do Alentejo e Jornal do Barreiro. Também colaborou em revistas e jornais de Lisboa, Coimbra e do Porto, como O Diabo (década de 30), Sol Nascente, Áquila, Cinéfilo, Pensamento, Vértice, Quatro Ventos, República. O seu primeiro romance, Fronteiriços, editado em 1953, foi imediatamente proibido e apreendido pela PIDE (polícia política do regime de Salazar). Segredo no Meio do Mar, é o relato de dez dias passados no «segredo da fortaleza de Peniche, onde esteve preso em 1950 por se opor à ditadura salazarista.
Da sua poesia afirmou João Rui de Sousa ser «a memória que não pondo de parte a pulsão de uma bem vincada positividade moral, o aceno de uma fraternidade mesmo se apenas sonhada testemunha sobretudo os olhos cansados pela ira do abandono, os colapsos de frio e de sono, de destroços, de aconteceres existencialmente menos felizes. Sobre os seus romances, José Manuel Mendes diz serem «bem a denúncia das injustiças sociais, um painel realista, não eufemizado, da desgraça a que são condenados os sem eira nem beira num universo de opressão. Vergílio Alberto Vieira chama a atenção para a coragem desta escrita «que ganha raiz em pleno salazarismo e chega ao nosso tempo com a limpidez só pela autenticidade popular assumida.
Poemas seus estão incluídos nas seguintes antologias: Vietname (1970), Escrita e Combate (1976), Textos Manuscritos (1977), Uma Certa Maneira de Cantar (1977), Poemabril (1984), Água Clara: Poetas em Vila Viçosa (1987)
ESGOTADO NAS LIVRARIAS
ÓPTIMO ESTADO - PORTES GRÁTIS
de A. Vicente Campinas
1ª Edição de 1984
Edição do Autor
94 Páginas
TERCEIRA IDADE
Muito aprecia o sol nado
quem já chegou ao inverno.
A mudança só existe
na palma de cada mão.
Mas se o sol queima a lembrança
dos dias idos do outono
a cinza fria do medo
mata mais que o abandono.
A maturidade estende
o tempo não inventado.
Mas nunca destrói o muro
sem estarmos no outro lado...
Vinga-se a idade no sol
que vem de quentinho quente
anichar-se em cada espanto
que foi raiz e semente.
Quando a existência se alonga
na curta vida de alguém
as quatro estações do ano
têm milhões de dores têm.
Só aprecia o sol nado
quem não fez da noite dia.
A melodia do tempo
chova ou não é melodia.
O inverno dos anos tem
sede ainda de mais anos.
Só o muro do silêncio
se abate com os desenganos.
Chegaste à terceira idade
sombra minha meus amores.
Muito se aprecia o sol
na noite feita de dores.
Se o frio da idade se aquece
prende-se ao calor da idade.
Ser velho é ter vivido
mais sonhos que o permitido.
---
António Vicente Campinas
A. Vicente Campinas [Vila Nova de Cacela, 1910 - Vila Real de Santo António, 1998]
Poeta, ficcionista e jornalista profissional. De 1937 a 1939 dirigiu o semanário Foz do Guadiana, suspenso pela censura de Salazar. Dirigiu igualmente o quinzenário Jornal de Cinema. Colaborou nos jornais regionais: Jornal do Algarve, Correio do Sul, Barlavento, O Algarve, A Planície, Bandarra, Gazeta do Sul e Notícias da Amadora, Diário do Sul, Diário do Alentejo e Jornal do Barreiro. Também colaborou em revistas e jornais de Lisboa, Coimbra e do Porto, como O Diabo (década de 30), Sol Nascente, Áquila, Cinéfilo, Pensamento, Vértice, Quatro Ventos, República. O seu primeiro romance, Fronteiriços, editado em 1953, foi imediatamente proibido e apreendido pela PIDE (polícia política do regime de Salazar). Segredo no Meio do Mar, é o relato de dez dias passados no «segredo da fortaleza de Peniche, onde esteve preso em 1950 por se opor à ditadura salazarista.
Da sua poesia afirmou João Rui de Sousa ser «a memória que não pondo de parte a pulsão de uma bem vincada positividade moral, o aceno de uma fraternidade mesmo se apenas sonhada testemunha sobretudo os olhos cansados pela ira do abandono, os colapsos de frio e de sono, de destroços, de aconteceres existencialmente menos felizes. Sobre os seus romances, José Manuel Mendes diz serem «bem a denúncia das injustiças sociais, um painel realista, não eufemizado, da desgraça a que são condenados os sem eira nem beira num universo de opressão. Vergílio Alberto Vieira chama a atenção para a coragem desta escrita «que ganha raiz em pleno salazarismo e chega ao nosso tempo com a limpidez só pela autenticidade popular assumida.
Poemas seus estão incluídos nas seguintes antologias: Vietname (1970), Escrita e Combate (1976), Textos Manuscritos (1977), Uma Certa Maneira de Cantar (1977), Poemabril (1984), Água Clara: Poetas em Vila Viçosa (1987)
ESGOTADO NAS LIVRARIAS
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ID: 660642715
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Publicado 16 de maio de 2026
"Fronteira Azul Carregada de Futuro" de A Vicente Campinas -1ª Ed 1984
8 €
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