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Tipo: Best Sellers
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Descrição
Título: "Gafanha da Nazaré: Aventuras, Desportos, Jogos e Brincadeiras"
Autor: Júlio Cirino da Rocha
Estado do livro: Novo
Livro autografado pelo autor
Número de Páginas: 235
Entrega gratuita em mãos em Abrantes ou Almada
Envio: 2,50€
«Desde a nossa meninice, saber nadar era uma das características mais marcantes
das gentes da Gafanha. Quase todos aprendemos a nadar na borda.
Também por ali era usual fazer-se patinagem nos espraiados de lama, o que quase sempre acabava de forma repentina,
com um corte de todo o tamanho na sola do pé, provocado por uma concha de
amêijoa cadela que por ali havia com fartura.
Havia mesmo um que se atirava de barriga para a lama, tipo pinguim. Só o fazia uma vez, por ficar com a barriga e o peito em mísero estado!
Um pormenor característico do passado era não haver grandes misturas entre
os “valentes” da Cale-da-Vila e os “valentes” da Chave.
As escaramuças entre uns e outros sucediam-se! Ao domingo, à tarde, esta gadagem, calçada com sapatos com sola que não vai ao sapateiro, dizia às mães que ia ao terço mas, na verdade, os garotos acabavam na borda a atiçar-se uns aos outros.
Era certo e sabido que muitas vezes havia luta corpo-a-corpo, seguida de murraça geral.
Nos Traveses nadávamos ou jogávamos à bola descalços na areia da praia,
normalmente no “muda aos 10 e acaba aos 20”.
Os jogos duravam uma eternidade.
Os da Palmeira entretinham-se nos mioporos, junto às Portas d’Água.
Nós, os do Bebedouro, fazíamos as nossas jogatanas ao lado da “piscina” e tínhamos uma
característica especial: todos andavam em leitão.
Antes dos jogos havia pinturas com lama mais preta do que o breu, para
melhor se distinguirem os elementos das equipas.
Havia quem se limitasse a pintar, com exagero, a região púbica onde os pêlos tardavam em aparecer. Outros levavam a coisa mais a sério, equipando “à Sporting”, com calção preto de lama e camisola às riscas, também pretas.
Os da equipa opositora equipavam “à Vasco da Gama”, também com calção preto e camisola com uma linha transversal de lama nas costas e
no peito, às vezes com inclinação não coincidente à frente e atrás.
Quantas vezes os nossos jogos acabavam de forma repentina, quando a mãe
de um vinha com um cavaco ou um talo de couve seco, escondido atrás do rabo, para
lhe dar uma surra ali mesmo. Então os outros cachopitos, com a roupa na gabela, era
um vê se te avias a fugir, de pilota à mostra, a badalar, pelo meio do milho fora.
E sabeis que mais? Nenhum daqueles cachopitos se livrava de levar, pelo
menos, um bom puxão de orelhas quando chegava ao pé da mãe com a poupa toda
esgadelhada.
Por mais que nos tivéssemos lavado com a água da borda, o cheiro pestilento a lama podre tresandava e nem com sabão azul e branco nos safávamos por
a água salgada não permitir fazer espuma!»
Autor: Júlio Cirino da Rocha
Estado do livro: Novo
Livro autografado pelo autor
Número de Páginas: 235
Entrega gratuita em mãos em Abrantes ou Almada
Envio: 2,50€
«Desde a nossa meninice, saber nadar era uma das características mais marcantes
das gentes da Gafanha. Quase todos aprendemos a nadar na borda.
Também por ali era usual fazer-se patinagem nos espraiados de lama, o que quase sempre acabava de forma repentina,
com um corte de todo o tamanho na sola do pé, provocado por uma concha de
amêijoa cadela que por ali havia com fartura.
Havia mesmo um que se atirava de barriga para a lama, tipo pinguim. Só o fazia uma vez, por ficar com a barriga e o peito em mísero estado!
Um pormenor característico do passado era não haver grandes misturas entre
os “valentes” da Cale-da-Vila e os “valentes” da Chave.
As escaramuças entre uns e outros sucediam-se! Ao domingo, à tarde, esta gadagem, calçada com sapatos com sola que não vai ao sapateiro, dizia às mães que ia ao terço mas, na verdade, os garotos acabavam na borda a atiçar-se uns aos outros.
Era certo e sabido que muitas vezes havia luta corpo-a-corpo, seguida de murraça geral.
Nos Traveses nadávamos ou jogávamos à bola descalços na areia da praia,
normalmente no “muda aos 10 e acaba aos 20”.
Os jogos duravam uma eternidade.
Os da Palmeira entretinham-se nos mioporos, junto às Portas d’Água.
Nós, os do Bebedouro, fazíamos as nossas jogatanas ao lado da “piscina” e tínhamos uma
característica especial: todos andavam em leitão.
Antes dos jogos havia pinturas com lama mais preta do que o breu, para
melhor se distinguirem os elementos das equipas.
Havia quem se limitasse a pintar, com exagero, a região púbica onde os pêlos tardavam em aparecer. Outros levavam a coisa mais a sério, equipando “à Sporting”, com calção preto de lama e camisola às riscas, também pretas.
Os da equipa opositora equipavam “à Vasco da Gama”, também com calção preto e camisola com uma linha transversal de lama nas costas e
no peito, às vezes com inclinação não coincidente à frente e atrás.
Quantas vezes os nossos jogos acabavam de forma repentina, quando a mãe
de um vinha com um cavaco ou um talo de couve seco, escondido atrás do rabo, para
lhe dar uma surra ali mesmo. Então os outros cachopitos, com a roupa na gabela, era
um vê se te avias a fugir, de pilota à mostra, a badalar, pelo meio do milho fora.
E sabeis que mais? Nenhum daqueles cachopitos se livrava de levar, pelo
menos, um bom puxão de orelhas quando chegava ao pé da mãe com a poupa toda
esgadelhada.
Por mais que nos tivéssemos lavado com a água da borda, o cheiro pestilento a lama podre tresandava e nem com sabão azul e branco nos safávamos por
a água salgada não permitir fazer espuma!»
ID: 667781731
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Publicado 03 de fevereiro de 2026
Gafanha da Nazaré: Desportos, Jogos e Brincadeiras - Júlio Cirino
12 €
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