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IRACEMA – Lenda do Ceará
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Descrição

IRACEMA – Lenda do Ceará
José de Alencar
Edição: Livraria Bertrand
Obras-primas da língua Portuguesa
Páginas: 163
Dimensões: 175x120 mm
Peso: 143

TX-A026-G170-0.58PR

Exemplar em bom estado. Sem rasgos. Tem uma assinatura e data na folha de guarda e alguns sublinhados e quatro páginas da introdução que não afectam a leitura

PREÇO:6.00€
Acresce portes – Correio Editorial


José de Alencar publicou Iracema – Lenda do Ceará em 1865, numa das obras mais emblemáticas do Romantismo brasileiro. Integrando o chamado ciclo indianista do autor, o romance procura criar um mito fundador para o povo brasileiro, exaltando a figura do indígena e retratando o encontro entre as culturas nativa e europeia durante os primórdios da colonização.
Mais do que uma simples narrativa de amor, Iracema constitui uma alegoria da formação histórica e cultural do Brasil. Através de uma linguagem poética, rica em imagens da natureza e marcada por um forte lirismo, José de Alencar constrói uma narrativa que combina história, lenda e simbolismo.

Enquadramento da Obra
A ação decorre na região que atualmente corresponde ao estado brasileiro do Ceará, numa época anterior à ocupação efetiva do território pelos colonizadores portugueses. O romance inspira-se em tradições indígenas e em elementos históricos, embora não tenha a pretensão de ser uma reconstrução rigorosa dos acontecimentos.
O autor procura criar uma narrativa fundadora, semelhante às antigas epopeias nacionais europeias, mas baseada em elementos genuinamente americanos. Assim, os indígenas surgem idealizados, representando valores como a coragem, a pureza moral, a honra e a ligação harmoniosa com a natureza.

Resumo Desenvolvido da Narrativa
O encontro entre Iracema e Martim
A história inicia-se quando Iracema, jovem índia da tribo dos tabajaras, encontra um estrangeiro que penetrara no território da sua nação.
Iracema é descrita como uma mulher de extraordinária beleza. O próprio nome significa, segundo a tradição literária criada por Alencar, “lábios de mel”. Ela exerce funções sagradas na sua comunidade, sendo guardiã do segredo da jurema, bebida ritual utilizada nas cerimónias religiosas da tribo.
O estrangeiro é Martim Soares Moreno, guerreiro português que se encontra entre os povos indígenas em missão de exploração e amizade.
O primeiro encontro entre ambos é marcado pela desconfiança. Iracema chega mesmo a atingir Martim com uma flecha. Contudo, ao perceber que ele não representa uma ameaça imediata, nasce entre os dois uma curiosidade mútua que rapidamente evolui para um sentimento profundo.

O conflito entre o amor e o dever
A paixão entre Iracema e Martim enfrenta obstáculos quase insuperáveis.
Como sacerdotisa, Iracema está vinculada a deveres religiosos que lhe exigem pureza e fidelidade às tradições da tribo. O amor por Martim constitui uma transgressão dessas normas.
Por outro lado, Martim pertence a uma cultura diferente e encontra-se ligado aos aliados indígenas da tribo dos pitiguaras, tradicionalmente inimigos dos tabajaras.
A jovem vê-se dividida entre a lealdade ao seu povo e o amor pelo estrangeiro. Acaba por seguir os impulsos do coração, abandonando a sua condição sagrada e fugindo com Martim.
Essa decisão desencadeia profundas consequências para todos os envolvidos.

A fuga e a guerra
Após a união dos amantes, irrompem conflitos entre as tribos rivais.
Iracema abandona a sua família e o seu povo para acompanhar Martim. Entre os tabajaras, a sua atitude é considerada uma grave traição.
Enquanto isso, Martim aproxima-se cada vez mais dos pitiguaras, aliados dos portugueses. A tensão transforma-se em guerra aberta entre os grupos indígenas.
As batalhas ocupam parte significativa da narrativa e ilustram o choque de interesses, alianças e culturas que caracterizou o período inicial da colonização.
Apesar do amor que os une, Martim começa gradualmente a afastar-se de Iracema, absorvido pelos conflitos militares e pelos deveres associados à sua missão.

A solidão de Iracema
A fase mais dramática da obra inicia-se quando Iracema percebe que o amor que a levou a abandonar tudo começa a ser marcado pela ausência.
Longe da sua tribo e isolada num ambiente estranho, a jovem passa a viver uma profunda solidão. A saudade da sua terra natal mistura-se com a insegurança provocada pelo crescente afastamento emocional de Martim.
A natureza, constantemente presente na narrativa, acompanha simbolicamente o estado de espírito da protagonista. As paisagens tornam-se reflexo da sua tristeza e da sua melancolia.

O nascimento de Moacir
Da união entre Iracema e Martim nasce um filho, chamado Moacir.
O nome significa “filho do sofrimento” ou “filho da dor”, simbolizando o preço pago pela união entre dois mundos distintos.
Moacir representa muito mais do que uma personagem individual. Ele encarna o nascimento de um novo povo, resultante da fusão entre a herança indígena e a presença europeia.
Na interpretação simbólica de José de Alencar, Moacir é uma figura que antecipa a formação da identidade brasileira.

A morte de Iracema
Consumida pela tristeza, pela saudade e pelo desgaste físico, Iracema enfraquece progressivamente.
Martim regressa após uma das suas ausências, mas encontra a companheira já muito debilitada. Pouco depois, Iracema morre.
A sua morte constitui o momento mais emocionante do romance. A personagem transforma-se num símbolo do sacrifício realizado pelos povos indígenas perante o avanço da colonização.
Martim permanece com o filho e, mais tarde, regressa à região onde vivera com Iracema. A memória da jovem continua associada à paisagem do Ceará, convertendo-se numa espécie de mito fundador da terra.

Personagens Principais
Iracema
Protagonista da obra, representa a pureza, a beleza e a ligação espiritual à natureza. Simboliza também os povos indígenas brasileiros idealizados pelo Romantismo.
Martim
Guerreiro português que personifica a presença europeia no Novo Mundo. É simultaneamente conquistador, explorador e agente da futura miscigenação cultural.
Moacir
Filho de Iracema e Martim. Simboliza o nascimento do povo brasileiro resultante da união entre indígenas e europeus.
Araquém
Pai de Iracema e respeitado líder espiritual dos tabajaras.
Poti
Guerreiro pitiguara e grande amigo de Martim. Representa a aliança entre alguns grupos indígenas e os portugueses.

Temas Fundamentais
O amor impossível
O romance apresenta um amor condenado pelas diferenças culturais, religiosas e políticas que separam os protagonistas.
A formação do Brasil
Toda a narrativa funciona como uma metáfora da origem histórica da nação brasileira.
O indianismo
A obra integra a corrente indianista do Romantismo, que transformou o indígena em herói nacional.
O choque entre culturas
O encontro entre o mundo indígena e o europeu constitui o núcleo central da narrativa.
A natureza
A paisagem não surge apenas como cenário, mas como elemento vivo que participa emocionalmente da história.
O sacrifício
Iracema sacrifica a sua posição social, a sua tribo e, por fim, a própria vida em nome do amor.

Estilo Literário
José de Alencar utiliza uma linguagem extremamente poética, repleta de metáforas, comparações e descrições da natureza tropical. Muitas passagens aproximam-se mais da poesia do que da prosa tradicional.
O autor procura reproduzir uma sensibilidade indígena idealizada, criando um texto musical, imagético e profundamente lírico. Essa característica tornou Iracema uma das obras mais belas e originais da literatura de língua portuguesa.

Importância Literária
Iracema é considerada uma das obras fundamentais da literatura brasileira e uma das expressões máximas do Romantismo em língua portuguesa. O romance ajudou a consolidar uma visão nacional da história brasileira, criando uma narrativa simbólica para a origem do país.
A figura de Iracema tornou-se um dos grandes mitos literários do Brasil, permanecendo viva no imaginário cultural muito para além do século XIX.
ID: 671633803

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Vasco Oliveira

No OLX desde maio de 2017

Esteve online dia 18 de junho de 2026

Publicado 13 de junho de 2026

IRACEMA – Lenda do Ceará

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