Profissional
Tipo: Música
Descrição
José Duarte - Jazzé e Outras Músicas
Edição Cotovia de 1994
Jazzé, quem é?
Jazzé é de como Jozé vivia o jazz.
Jozé nasceu perto do Conservatório, em Lisboa, no Bairro Alto, cresceu na Praça das Flores e envelheceu, de- saparecendo, entre a Madragoa e a Lapa, numa fronteira com vista para o Mar da Palha e a serra da Arrábida.
Perto do Conservatório? Talvez por isso Jozé tenha andado sempre próximo da Música, sem nunca lhe tocar. Com o ‘ouvido mais negro da Europa’, quando voltar a crescer quer ir para musicólogo porque, para saxofonista tenor, Coltrane já tocou tudo.
Desaparecendo? Jazzé foi a alcunha que Calado pôs a Jozé nos tempos do Clube Universitário de Jazz (C.U.J.) pela forma como aprendia os sons e os nomes e as vidas do jazz e dos seus génios, pelo empenho que Jozé punha na divulgação desta arte de passar sons, pela maneira como escrevia, dançava, discutia, se empenhava política e cultu- ralmente nessa luta. Jazzé desapareceu com a idade, dele, e do próprio jazz.
O que é a história do jazz senão, como todas, um princípio, meio e fim? Que arte, que estilo, que corrente é eterna e sempre a mesma? Nem a de um rio que transforma as margens, transformando-se a si próprio.
E Jozé argumenta mais. Que música viva será não se transforma (de forma) há tantos anos quantos ele começou a ser Jazzé? Desde esses tempos, tempos em que Ornette apareceu com a teoria e prática “free”, em que Coltrane começava a desembrulhar as suas cascatas de som, tempos mais tarde quando Miles lançou maior confusão com a incorporação de partículas “rock”, que nada de novo acontece no jazz. O jazz parou, mastiga-se, rumina em direcção ao fim. Nada contra.
Edição Cotovia de 1994
Jazzé, quem é?
Jazzé é de como Jozé vivia o jazz.
Jozé nasceu perto do Conservatório, em Lisboa, no Bairro Alto, cresceu na Praça das Flores e envelheceu, de- saparecendo, entre a Madragoa e a Lapa, numa fronteira com vista para o Mar da Palha e a serra da Arrábida.
Perto do Conservatório? Talvez por isso Jozé tenha andado sempre próximo da Música, sem nunca lhe tocar. Com o ‘ouvido mais negro da Europa’, quando voltar a crescer quer ir para musicólogo porque, para saxofonista tenor, Coltrane já tocou tudo.
Desaparecendo? Jazzé foi a alcunha que Calado pôs a Jozé nos tempos do Clube Universitário de Jazz (C.U.J.) pela forma como aprendia os sons e os nomes e as vidas do jazz e dos seus génios, pelo empenho que Jozé punha na divulgação desta arte de passar sons, pela maneira como escrevia, dançava, discutia, se empenhava política e cultu- ralmente nessa luta. Jazzé desapareceu com a idade, dele, e do próprio jazz.
O que é a história do jazz senão, como todas, um princípio, meio e fim? Que arte, que estilo, que corrente é eterna e sempre a mesma? Nem a de um rio que transforma as margens, transformando-se a si próprio.
E Jozé argumenta mais. Que música viva será não se transforma (de forma) há tantos anos quantos ele começou a ser Jazzé? Desde esses tempos, tempos em que Ornette apareceu com a teoria e prática “free”, em que Coltrane começava a desembrulhar as suas cascatas de som, tempos mais tarde quando Miles lançou maior confusão com a incorporação de partículas “rock”, que nada de novo acontece no jazz. O jazz parou, mastiga-se, rumina em direcção ao fim. Nada contra.
ID: 655753224
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Publicado 08 de maio de 2026
José Duarte - Jazzé e Outras Músicas
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