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"ÍNDIA" - Urbanização e Fortificação de Pedro Dias - 1ª Edição de 2009
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Tipo: Portugal

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Descrição

"ÍNDIA"
Urbanização e Fortificação
de Pedro Dias

1ª Edição de 2009
Público - Comunicação Sicial
Coleção Arte de Portugal no Mundo
148 Páginas
Dimensões: 190 x 280 x 13 mm.
Profusamente Ilustrado

Entre o luxo e a decadência, a primeira capital do Estado Português da Índia, Goa, é exemplo dos diversos projectos urbanísticos que os portugueses desenvolveram nos territórios ultramarinos.

Quando os portugueses chegaram à Índia em 1498, o seu principal objectivo era o comércio. Por isso, inicialmente, a soberania lusa em território indiano circunscreveu-se a fortalezas e feitorias, cuja construção ou destruição era determinada pelo vice-rei ou governador.
As primeiras estruturas militares que os portugueses ergueram nesse país do sul asiático eram precárias e pequenas, de rápida execução. Quanto à concepção e técnica, assemelhavam-se aos projectos desenvolvidos em Portugal e nas ilhas. Era igualmente habitual os governadores ou vice-reis solicitarem os serviços de técnicos europeus, com os quais supervisionavam as obras e planeavam projectos novos ou de restauro.
Goa, capital do Estado Português da Índia a partir de 1510, é um dos territórios onde a presença lusa deixou maiores marcas. A "Velha Goa" apresenta hoje apenas algumas igrejas, duas portas e um paço episcopal, mas se associarmos esses edifícios às descrições da época é possível reconhecer os traços daquela que ficou conhecida como a "Roma do Oriente".
Após conquistar a cidade, Afonso de Albuquerque ordenou que as muralhas destruídas durante a batalha fossem reparadas. As características e o estado da fortificação de Goa são expostos com pormenor na carta que Manuel Godinho de Herédia redigiu em 1616, conservada na Biblioteca Nacional de Madrid. Nela, verifica-se que a zona da cidade virada para terra firme era quase completamente rodeada por muros.
Nas muralhas de Goa existiam várias portas, entre as quais se destacava a porta do cais ou dos armazéns, mais tarde transformada no arco dos vice-reis. Sobre essa porta, Afonso de Albuquerque mandou construir uma torre quadrada de dois andares, que comunicava com o palácio dos vice-reis. Porém, em 1597, D. Francisco da Gama exigiu que fosse deitada abaixo para que se erguesse um arco triunfal em memória do seu bisavô, assinalando um século da chegada de Vasco da Gama à Índia.
Com a invasão dos maratas e a mudança da capital portuguesa para Mormugão, Goa entrou em decadência. Por isso, quando os portugueses voltaram a recuperá-la, o governo do marquês de Pombal enviou de Lisboa um novo governador e capitão-general, D. José Pedro da Câmara, e um recém-nomeado arcebispo, D. Francisco de Assumpção e Brito, ambos com a missão de restaurar Goa, tornando-a numa cidade segura.
Entre as medidas tomadas, foram aplicados benefícios e isenções para quem construísse casas dentro das muralhas de Goa, à semelhança do que aconteceu em Lisboa após o Terramoto de 1755. Ao mesmo tempo, a aldeia de Pangim foi alvo de um projecto de regularização que, ao gosto do arruamento pombalino, propunha uma malha reticulada a partir de uma praça, como o Terreiro do Paço, em Lisboa.
No entanto, o crescimento de Pangim não respeitou o ordenamento proposto pelo marquês de Pombal, ocorrendo não na zona baixa, mas na margem do rio, nos terrenos de antigas quintas, junto de capelas e igrejas. Apesar disso, em 1843, essa nova cidade deu lugar à Nova Goa, capital do Estado Português da Índia.
A cidade viu assim nascer a sede do governo, quartéis de artilharia, escolas, uma biblioteca pública, a alfândega e também um templo hindu e uma mesquita. Do ponto de vista urbanístico, destaca-se o Bairro das Fontainhas, formado a partir de um quarteirão construído por António João de Sequeira.

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Pedro Dias é Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, na área de História da Arte (aposentado em Setembro de 2011).

Estagiou e desenvolveu trabalhos de investigação em Espanha, Itália, Holanda, Alemanha, França, Itália, Brasil e India como bolseiro do Instituto Nacional de Investigação Científica, da Fundação Calouste Gulbenkian e de outras instituições portuguesas e estrangeiras. Durante cinco anos integrou o Centro de História da Sociedade e da Cultura do Instituto Nacional de Investigação Científica.

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Raul Ribeiro

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