Particular
Entregas OLX
Descrição
O GOMIL DOS NOIVADOS
Manoel de Sousa Pinto
Edição: Moura Marques & Paraísos
Coimbra – 1912
Páginas: 191
Dimensões: 195x130x20 mm
Exemplar em bom estado Sem anotações
Algumas folhas com ligeiras manchas de oxidação
TX-A026-G284-095
PREÇO:800€
Acresce portes – Correio Editorial
"O Gomil dos Noivados" é uma obra de ficção e prosa literária publicada em 1912, saída dos prelos da prestigiada parceria editorial Moura Marques & Paraísos, em Coimbra
Trata-se de um livro invulgar e de circulação relativamente restrita no mercado de alfarrabistas, impresso no típico formato in-8º da época (com cerca de 191 páginas) A obra reflete o estilo elegante, esteta e profundamente ligado à crítica de arte que caraterizou o seu autor
O Autor: Manoel de Sousa Pinto (1880–xxx1934)
Para compreender o tom de O Gomil dos Noivados, ajuda olhar para o percurso do próprio Manoel de Sousa Pinto Natural do Porto mas com uma forte ligação à vida académica e literária de Coimbra e Lisboa, foi um homem de vasta cultura: escritor, ensaísta, jornalista e um dos mais reputados críticos de arte da sua geração
Ficou amplamente conhecido pelos seus estudos biográficos e monografias sobre grandes figuras da cultura portuguesa, tais como:
• O Monumento a Eça de Queirozxx (1904)
• Dom João de Castro (1500xx-1548)xx (1912)
• A sua célebre e exaustiva obra sobre a vida e a caricatura de Raphael Bordallo Pinheiro (Os Três Bordalos e Raphael Bordallo Pinheiro - O Caricaturista)
A Obra e o seu Contexto
O título da obra, evocando um gomil (um jarro bojudo, de gargalo estreito, historicamente associado a rituais de purificação, lavagem de mãos ou banquetes) e os noivados, denuncia o gosto do autor pelas belas-artes, pelas antiguidades e pelo pormenor descritivo e decorativo
Na imprensa da época, as criações literárias de Sousa Pinto deste período eram frequentemente elogiadas pela sua composição leve, graciosa e de um esteticismo quase visual, onde as referências a objetos de arte, tapeçarias e ambientes requintados serviam de cenário a narrativas de cariz sentimental ou histórico
A Edição: Moura Marques & Paraísos (Coimbra)
A chancela desta obra tem uma história deliciosa ligada à fisionomia urbana e cultural de Coimbra:
• A Origem: O editor, João de Moura Marques, começou com a famosa Livraria Académica na Rua Ferreira Borges Curiosamente, a sua estreia absoluta como editor deu-se em dezembro de 1903 precisamente com outra obra de Manoel de Sousa Pinto (o drama em dois atos A Única Verdade)
• A Parceria de 1912: Por volta desta data, a casa editorial passa a designar-se Livraria Editora Moura Marques & Paraísos, situada no antigo Largo do Príncipe D Carlos (rebatizado após a República como Largo Miguel Bombarda)
As edições desta tipografia coimbrã eram conhecidas no meio intelectual pela sua "fatura elegante e simples, sem os arrebiques pesados" que marcavam a transição do século, tornando os livros muito agradáveis ao manuseamento e à leitura
É um belíssimo exemplar da literatura eduardina/republicana portuguesa, muito focado na sensibilidade e no culto da forma, e um verdadeiro achado para quem nutre paixão pela história da edição e das letras em Portugal
SOBRE O AUTOR
Nascido no Rio de Janeiro, foi professor de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras de Lisboa Dirigiu, com João de Barros, a revista Arte & Vida (1904xx-1906) Autor de vasta obra literária e ensaística, publicou, entre outros livros, A Única Verdade (1904), Evanidade (1914), As Mãos da Vida (1918), Para Onde Vais, Maria? (1922), Danças e Bailados (1924), tendo exercido uma extensa actividade como crítico de arte em jornais portugueses e brasileiros É esta sua faceta, mas também o seu estilo anti-moderno, que o tornam alvo de uma violenta crítica de Fernando Pessoa, num artigo de Teatro – Revista de crítica, nº 2, de 8 de Março de 1913 No artigo, ironicamente intitulado «Coisas estilísticas que aconteceram a um gomil cinzelado, que se dizia ter sido batido no céu em tempos da velha fábula, por um deus amoroso», numa clara alusão ao título do livro O Gomil dos Noivados, objecto da recensão, o autor é apodado de «crítico de segunda ordem» que, «levado pelo que deve ser vaidade, pelo seu imperfeito senso crítico () se meteu, intelectualmente, no leito de Procustes de romancear, donde saíu sem pés nem cabeça» e o seu estilo equiparado a um «corno» É, de resto, aconselhado a não tentar «tocar rabecão», a deixar o romance aos romancistas e a mandar «ao diabo os Joões de Barros e Joaquins Mansos e todo o resto da coterie de entre-porta-e-porta da Livraria Ferreira» Aos olhos de F Pessoa e do seu grupo, e conforme se lê numa sua carta a Álvaro Pinto, de 7-3- 1913, o visado, tal como João de Barros, Joaquim Manso ou Afonso Lopes Vieira, fazem, de facto, parte de uma «mera e reles coterie» que lhe(s) faz «uma guerra esquerda e assolapada» Por isso, urge, na sua opinião, «atacá-los pela troça, que é ataque que eles não esperam e a que não estão acostumados», anunciando Pessoa, na mesma carta, ir em breve «romper fogo contra o Manuel Sousa Pinto»
Manuela Parreira da Silva
Modernismo pt/indexphp/ilustracao/details/20/651
Manoel de Sousa Pinto
Edição: Moura Marques & Paraísos
Coimbra – 1912
Páginas: 191
Dimensões: 195x130x20 mm
Exemplar em bom estado Sem anotações
Algumas folhas com ligeiras manchas de oxidação
TX-A026-G284-095
PREÇO:800€
Acresce portes – Correio Editorial
"O Gomil dos Noivados" é uma obra de ficção e prosa literária publicada em 1912, saída dos prelos da prestigiada parceria editorial Moura Marques & Paraísos, em Coimbra
Trata-se de um livro invulgar e de circulação relativamente restrita no mercado de alfarrabistas, impresso no típico formato in-8º da época (com cerca de 191 páginas) A obra reflete o estilo elegante, esteta e profundamente ligado à crítica de arte que caraterizou o seu autor
O Autor: Manoel de Sousa Pinto (1880–xxx1934)
Para compreender o tom de O Gomil dos Noivados, ajuda olhar para o percurso do próprio Manoel de Sousa Pinto Natural do Porto mas com uma forte ligação à vida académica e literária de Coimbra e Lisboa, foi um homem de vasta cultura: escritor, ensaísta, jornalista e um dos mais reputados críticos de arte da sua geração
Ficou amplamente conhecido pelos seus estudos biográficos e monografias sobre grandes figuras da cultura portuguesa, tais como:
• O Monumento a Eça de Queirozxx (1904)
• Dom João de Castro (1500xx-1548)xx (1912)
• A sua célebre e exaustiva obra sobre a vida e a caricatura de Raphael Bordallo Pinheiro (Os Três Bordalos e Raphael Bordallo Pinheiro - O Caricaturista)
A Obra e o seu Contexto
O título da obra, evocando um gomil (um jarro bojudo, de gargalo estreito, historicamente associado a rituais de purificação, lavagem de mãos ou banquetes) e os noivados, denuncia o gosto do autor pelas belas-artes, pelas antiguidades e pelo pormenor descritivo e decorativo
Na imprensa da época, as criações literárias de Sousa Pinto deste período eram frequentemente elogiadas pela sua composição leve, graciosa e de um esteticismo quase visual, onde as referências a objetos de arte, tapeçarias e ambientes requintados serviam de cenário a narrativas de cariz sentimental ou histórico
A Edição: Moura Marques & Paraísos (Coimbra)
A chancela desta obra tem uma história deliciosa ligada à fisionomia urbana e cultural de Coimbra:
• A Origem: O editor, João de Moura Marques, começou com a famosa Livraria Académica na Rua Ferreira Borges Curiosamente, a sua estreia absoluta como editor deu-se em dezembro de 1903 precisamente com outra obra de Manoel de Sousa Pinto (o drama em dois atos A Única Verdade)
• A Parceria de 1912: Por volta desta data, a casa editorial passa a designar-se Livraria Editora Moura Marques & Paraísos, situada no antigo Largo do Príncipe D Carlos (rebatizado após a República como Largo Miguel Bombarda)
As edições desta tipografia coimbrã eram conhecidas no meio intelectual pela sua "fatura elegante e simples, sem os arrebiques pesados" que marcavam a transição do século, tornando os livros muito agradáveis ao manuseamento e à leitura
É um belíssimo exemplar da literatura eduardina/republicana portuguesa, muito focado na sensibilidade e no culto da forma, e um verdadeiro achado para quem nutre paixão pela história da edição e das letras em Portugal
SOBRE O AUTOR
Nascido no Rio de Janeiro, foi professor de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras de Lisboa Dirigiu, com João de Barros, a revista Arte & Vida (1904xx-1906) Autor de vasta obra literária e ensaística, publicou, entre outros livros, A Única Verdade (1904), Evanidade (1914), As Mãos da Vida (1918), Para Onde Vais, Maria? (1922), Danças e Bailados (1924), tendo exercido uma extensa actividade como crítico de arte em jornais portugueses e brasileiros É esta sua faceta, mas também o seu estilo anti-moderno, que o tornam alvo de uma violenta crítica de Fernando Pessoa, num artigo de Teatro – Revista de crítica, nº 2, de 8 de Março de 1913 No artigo, ironicamente intitulado «Coisas estilísticas que aconteceram a um gomil cinzelado, que se dizia ter sido batido no céu em tempos da velha fábula, por um deus amoroso», numa clara alusão ao título do livro O Gomil dos Noivados, objecto da recensão, o autor é apodado de «crítico de segunda ordem» que, «levado pelo que deve ser vaidade, pelo seu imperfeito senso crítico () se meteu, intelectualmente, no leito de Procustes de romancear, donde saíu sem pés nem cabeça» e o seu estilo equiparado a um «corno» É, de resto, aconselhado a não tentar «tocar rabecão», a deixar o romance aos romancistas e a mandar «ao diabo os Joões de Barros e Joaquins Mansos e todo o resto da coterie de entre-porta-e-porta da Livraria Ferreira» Aos olhos de F Pessoa e do seu grupo, e conforme se lê numa sua carta a Álvaro Pinto, de 7-3- 1913, o visado, tal como João de Barros, Joaquim Manso ou Afonso Lopes Vieira, fazem, de facto, parte de uma «mera e reles coterie» que lhe(s) faz «uma guerra esquerda e assolapada» Por isso, urge, na sua opinião, «atacá-los pela troça, que é ataque que eles não esperam e a que não estão acostumados», anunciando Pessoa, na mesma carta, ir em breve «romper fogo contra o Manuel Sousa Pinto»
Manuela Parreira da Silva
Modernismo pt/indexphp/ilustracao/details/20/651
ID: 671469686
Contactar anunciante
Publicado 07 de junho de 2026
O gomil dos noivados - Manoel de Sousa Pinto
8 €
Utilizador
Localização