Particular
Tipo: Portugal
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Descrição
OPUSCULOS Tomo III
Controvérsias e estudos históricos – Tomo I
Alexandre Herculano
4ª Edição
Livraria Bertrand – Lisboa
Livraria Francisco Alves – Rio de Janeiro – S. Paulo – Belo Horizonte
Páginas: 339
Dimensões: 190x125 mm
Peso: 280
Exemplar com algum desgaste na lombada. Miolo em bom estado
PREÇO: 9.00€
PORTES DE ENVIO INCLUÍDOS, em Correio Normal/Editorial, válido enquanto esta modalidade for acessível a particulares.
Envio em Correio Registado acresce a taxa em vigor.
Sinopse:
Os Opúsculos constituem uma recolha de cinquenta e cinco temas de maiores ou menores proporções e de características muito diversificadas que se integram de forma esquemática nas três grandes áreas de intervenção de Herculano a vida pública contemporânea, com incidência em temas de ordem política, social, económica, religiosa e cultural; a actividade científica, com os seus estudos sobre história e, finalmente, a actividade literária. (.)
Nas páginas dos Opúsculos encontramos a maior parte dos textos que nos esclarecem sobre as posições na contemporaneidade, que constituem valores de um património cultural elaborados por uma das maiores figuras da intelectualidade portuguesa. (.)
PREFÁCIO
Contem este volume diversos escriptos sobre duas questões históricas. A primeira, que se refere ás tradições fabulosas ácerca da batalha de Ourique, quasi que não tem valor algum á luz da sciencia. Expôr semelhantes tradições era, por assim dizer, refutá-las, e perante a historia tal refutação seria de sobra. A segunda, relativa á situação das classes servas na Hespanha desde o VIII até ao XII seculo, versa sobre a legitimidade da solução que adoptei num dos mais difficeis problemas que se me offereceram ao escrever o terceiro volume da Historia de Portugal, na epocha decorrida desde a fundação da monarchia até o fim do reinado de Affonso III. As phases da lenta transformação do escravo das sociedades antigas no obreiro, cidadão livre das sociedades modernas, obscuras ainda em parte na historia da civilização e do progresso humano entre as nações d'além dos Pyreneus, muito mais o são áquem delles. As divergencias, e divergencias profundas, entre os que se dedicam a estudar o assumpto, nascem dessa obscuridade, e é dos debates que elle pode suscitar que ha de surgir afinal a luz.
Como tantas vezes succede, não foi a questão grave e difficil que alevantou arruido: foi a insignificante que despertou as attenções e que produziu viva agitação na imprensa e fora da imprensa, dividindo em dous campos o pu- blico que lê. É que a primeira interessava apenas a sciencia, e a segunda contrariava os intuitos de uma parcialidade e as preoccupações dos espiritos vulgares, que constituem o grande numero. Se a religião era extranha ao assumpto, ou antes ganhava na suppressão de uma pia fraude, perdia com isso a maioria do sacerdocio, atarefada, hoje mais que nunca, em tecer a rede de suppostos milagres em que parece querer amortalhar o catholicismo. Escrevendo um livro sério, eu afastara brandamente para o limbo das fabulas aquellas ficções ridiculas, porque era forçoso fazê-lo. Nem tivera a intenção do escandalo, nem a cousa o valia. A maioria, porém, do clero não o entendeu assim.
Na carta ao patriarcha de Lisboa, com a qual este volume começa, está a resumida noticia das aggressões de que fui alvo e que por algum tempo supportei com resignação ou indifferença, resignação ou indifferença em que provavelmente, hoje, que sei melhor o que taes aggressões valem, continuaria a permanecer. Estava, porém, então naquella epocha da vida em que a paciencia christã não é a virtude mais vulgar do homem. O leitor ajuizará se os prelados portugueses foram ou não imprudentes em tolerarem ou talvez favorecerem aquellas ineptas e brutaes manifestações da ignorancia e do interesse ferido.
Pelo que toca ao opusculo sobre o estado das classes servas da Peninsula no decurso dos seculos VII a XII, destinado a combater as opiniões do erudito Muñoz y Romero, é bem de crer que ao meu illustre adversario não
faltassem argumentos para contrapôr ás objecções que lhe fiz; mas afastaram-no do debate outros estudos, até que veíu salteá-lo a morte, quando a Hespanha tinha a esperar os melhores fructos da alta intelligencia daquelle incansavel cultor da historia, Buscando ambos a verdade, a discussão encetada conduzir-nos-hia, provavelmente, a modificarmos, tanto um como outro, as nossas idéas, talvez absolutas em demasia, e a estabelecermos uma doutrina solida sobre tão espinhoso assumpto. Entretanto, ainda hoje me persuado de que, para nos aproximarmos, seria elle que teria de andar mais caminho. Julgá-lo-hão os que, depois de lerem attentamente o meu modesto trabalho, examinarem com igual attenção o escripto de Muñoz y Romero e a aprecição desse escriptor por Mr. de Rozière.
Janeiro de 1876
Controvérsias e estudos históricos – Tomo I
Alexandre Herculano
4ª Edição
Livraria Bertrand – Lisboa
Livraria Francisco Alves – Rio de Janeiro – S. Paulo – Belo Horizonte
Páginas: 339
Dimensões: 190x125 mm
Peso: 280
Exemplar com algum desgaste na lombada. Miolo em bom estado
PREÇO: 9.00€
PORTES DE ENVIO INCLUÍDOS, em Correio Normal/Editorial, válido enquanto esta modalidade for acessível a particulares.
Envio em Correio Registado acresce a taxa em vigor.
Sinopse:
Os Opúsculos constituem uma recolha de cinquenta e cinco temas de maiores ou menores proporções e de características muito diversificadas que se integram de forma esquemática nas três grandes áreas de intervenção de Herculano a vida pública contemporânea, com incidência em temas de ordem política, social, económica, religiosa e cultural; a actividade científica, com os seus estudos sobre história e, finalmente, a actividade literária. (.)
Nas páginas dos Opúsculos encontramos a maior parte dos textos que nos esclarecem sobre as posições na contemporaneidade, que constituem valores de um património cultural elaborados por uma das maiores figuras da intelectualidade portuguesa. (.)
PREFÁCIO
Contem este volume diversos escriptos sobre duas questões históricas. A primeira, que se refere ás tradições fabulosas ácerca da batalha de Ourique, quasi que não tem valor algum á luz da sciencia. Expôr semelhantes tradições era, por assim dizer, refutá-las, e perante a historia tal refutação seria de sobra. A segunda, relativa á situação das classes servas na Hespanha desde o VIII até ao XII seculo, versa sobre a legitimidade da solução que adoptei num dos mais difficeis problemas que se me offereceram ao escrever o terceiro volume da Historia de Portugal, na epocha decorrida desde a fundação da monarchia até o fim do reinado de Affonso III. As phases da lenta transformação do escravo das sociedades antigas no obreiro, cidadão livre das sociedades modernas, obscuras ainda em parte na historia da civilização e do progresso humano entre as nações d'além dos Pyreneus, muito mais o são áquem delles. As divergencias, e divergencias profundas, entre os que se dedicam a estudar o assumpto, nascem dessa obscuridade, e é dos debates que elle pode suscitar que ha de surgir afinal a luz.
Como tantas vezes succede, não foi a questão grave e difficil que alevantou arruido: foi a insignificante que despertou as attenções e que produziu viva agitação na imprensa e fora da imprensa, dividindo em dous campos o pu- blico que lê. É que a primeira interessava apenas a sciencia, e a segunda contrariava os intuitos de uma parcialidade e as preoccupações dos espiritos vulgares, que constituem o grande numero. Se a religião era extranha ao assumpto, ou antes ganhava na suppressão de uma pia fraude, perdia com isso a maioria do sacerdocio, atarefada, hoje mais que nunca, em tecer a rede de suppostos milagres em que parece querer amortalhar o catholicismo. Escrevendo um livro sério, eu afastara brandamente para o limbo das fabulas aquellas ficções ridiculas, porque era forçoso fazê-lo. Nem tivera a intenção do escandalo, nem a cousa o valia. A maioria, porém, do clero não o entendeu assim.
Na carta ao patriarcha de Lisboa, com a qual este volume começa, está a resumida noticia das aggressões de que fui alvo e que por algum tempo supportei com resignação ou indifferença, resignação ou indifferença em que provavelmente, hoje, que sei melhor o que taes aggressões valem, continuaria a permanecer. Estava, porém, então naquella epocha da vida em que a paciencia christã não é a virtude mais vulgar do homem. O leitor ajuizará se os prelados portugueses foram ou não imprudentes em tolerarem ou talvez favorecerem aquellas ineptas e brutaes manifestações da ignorancia e do interesse ferido.
Pelo que toca ao opusculo sobre o estado das classes servas da Peninsula no decurso dos seculos VII a XII, destinado a combater as opiniões do erudito Muñoz y Romero, é bem de crer que ao meu illustre adversario não
faltassem argumentos para contrapôr ás objecções que lhe fiz; mas afastaram-no do debate outros estudos, até que veíu salteá-lo a morte, quando a Hespanha tinha a esperar os melhores fructos da alta intelligencia daquelle incansavel cultor da historia, Buscando ambos a verdade, a discussão encetada conduzir-nos-hia, provavelmente, a modificarmos, tanto um como outro, as nossas idéas, talvez absolutas em demasia, e a estabelecermos uma doutrina solida sobre tão espinhoso assumpto. Entretanto, ainda hoje me persuado de que, para nos aproximarmos, seria elle que teria de andar mais caminho. Julgá-lo-hão os que, depois de lerem attentamente o meu modesto trabalho, examinarem com igual attenção o escripto de Muñoz y Romero e a aprecição desse escriptor por Mr. de Rozière.
Janeiro de 1876
ID: 655555635
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Publicado 17 de janeiro de 2026
Opusculos- Tomo III Alexandre Herculano
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