Particular
Tipo: Comunicação
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Descrição
Livro em excelente estado,
obra rara, edição esgotada
Os africanos na imprensa portuguesa : 1993|1995 / Isabel Ferin Cunha
Publicação: Lisboa : CIDAC - Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral, 1996
Descrição: 164, [4] p. : brochado ; 23 cm
Como conclusão do trabalho, convém salientar que, tratando-se de um estudo de caso sobre os
Africanos na Imprensa de grande circulação em Portugal, o que ressalta é a quase ausência de
imagens dos africanos.
Essas imagens, esboçadas à sombra das problemáticas específicas e pontuais portuguesas,
surgem coladas e à sombra quer da implementação política dos Acordos de Schengen em 1993, quer
da aplicação nas fronteiras das Novas Legislações decorrentes desses Acordos em 1994, ou ainda
em 1995, no quotidiano policial e acidental da execução no terreno dessas mesmas políticas.
Em quase todas as imagens esboçadas - seja nas peças jornalísticas seja nos artigos de opinião - ,
o Africano, enquanto cidadão ou imigrante é sempre um complemento ao Eu-português, reforçando
o estereótipo da marginalidade, da carência e do exótico, ou ainda, quase compulsivamente, dando
origem a uma auto-contemplação narcisística e histórica da identidade mítica.
Tendência narcisística que se acentua nos artigos dos líderes de opinião, na medida em que, à
ausência do Outro se contrapõe a imagem mítica de um Português de fundo e tradições multiraciais e
luso-tropical.Imagem que se mantém no centro da definição da identidade nacional mesmo quando
é esboçada pela negativa e em contraposição a um outro Outro - o Europeu. Mas, se a ausência
da imagem do Africano é notória, não é menos notório o facto do Europeu, quando referido, ter
sempre uma imagem concretizada.
Esta constatação leva-nos a levantar algumas hipóteses referentes à construção social da
realidade realizada pela imprensa e muito especialmente pelos líderes de opinião.
A primeira hipótese coloca-nos perante a “necessidade psicológica” de conservar e reforçar
determinados elementos cognitivos estabilizadores daquilo a que Jorge Dias chamou a
“personalidade” base do português. A segunda hipótese, coloca-nos perante a mesma
“necessidade psicológica” mas de cariz oportunista, visto que, se para uns é crença, para outros é
discurso político ou/e económico de persuasão e sedução. A terceira e última hipótese prende-se com
as estratégias de resistência nacional e cultural de uma elite intelectual (seja de esquerda ou de direita)
à globalização e massificação de referências simbólicas.
Sendo como é, um estudo de caso, em que medida as características e os elementos identificados
são válidos para a compreensão do jornalismo e da sociedade portuguesa?
obra rara, edição esgotada
Os africanos na imprensa portuguesa : 1993|1995 / Isabel Ferin Cunha
Publicação: Lisboa : CIDAC - Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral, 1996
Descrição: 164, [4] p. : brochado ; 23 cm
Como conclusão do trabalho, convém salientar que, tratando-se de um estudo de caso sobre os
Africanos na Imprensa de grande circulação em Portugal, o que ressalta é a quase ausência de
imagens dos africanos.
Essas imagens, esboçadas à sombra das problemáticas específicas e pontuais portuguesas,
surgem coladas e à sombra quer da implementação política dos Acordos de Schengen em 1993, quer
da aplicação nas fronteiras das Novas Legislações decorrentes desses Acordos em 1994, ou ainda
em 1995, no quotidiano policial e acidental da execução no terreno dessas mesmas políticas.
Em quase todas as imagens esboçadas - seja nas peças jornalísticas seja nos artigos de opinião - ,
o Africano, enquanto cidadão ou imigrante é sempre um complemento ao Eu-português, reforçando
o estereótipo da marginalidade, da carência e do exótico, ou ainda, quase compulsivamente, dando
origem a uma auto-contemplação narcisística e histórica da identidade mítica.
Tendência narcisística que se acentua nos artigos dos líderes de opinião, na medida em que, à
ausência do Outro se contrapõe a imagem mítica de um Português de fundo e tradições multiraciais e
luso-tropical.Imagem que se mantém no centro da definição da identidade nacional mesmo quando
é esboçada pela negativa e em contraposição a um outro Outro - o Europeu. Mas, se a ausência
da imagem do Africano é notória, não é menos notório o facto do Europeu, quando referido, ter
sempre uma imagem concretizada.
Esta constatação leva-nos a levantar algumas hipóteses referentes à construção social da
realidade realizada pela imprensa e muito especialmente pelos líderes de opinião.
A primeira hipótese coloca-nos perante a “necessidade psicológica” de conservar e reforçar
determinados elementos cognitivos estabilizadores daquilo a que Jorge Dias chamou a
“personalidade” base do português. A segunda hipótese, coloca-nos perante a mesma
“necessidade psicológica” mas de cariz oportunista, visto que, se para uns é crença, para outros é
discurso político ou/e económico de persuasão e sedução. A terceira e última hipótese prende-se com
as estratégias de resistência nacional e cultural de uma elite intelectual (seja de esquerda ou de direita)
à globalização e massificação de referências simbólicas.
Sendo como é, um estudo de caso, em que medida as características e os elementos identificados
são válidos para a compreensão do jornalismo e da sociedade portuguesa?
ID: 667665193
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Publicado 20 de abril de 2026
Os Africanos na imprensa portuguesa: 1993|1995, de Isabel Ferin Cunha
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