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Repórter no Vietname - José da Câmara Leme
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Descrição

REPÓRTER NO VIETNAME –
José da Câmara Leme
Livraria Bertrand
1ª Edição – 1970
Páginas: 271
Dimensões: 220x160 mm
Encadernação: Capa dura
Peso: 527
TX- A026-G540- 1.95PR

Exemplar em muito bom estado de conservação. Tem uma assinatura e carimbo na folha de guarda e carimbo na última pagina

PREÇO: 9.00€
Acresce portes – Correio Editorial

"Repórter no Vietname" é um documento histórico e jornalístico de valor incalculável para a memória da imprensa portuguesa.

Publicado em 1970 pela Livraria Bertrand, este livro compila a experiência direta de José da Câmara Leme, o único jornalista português enviado oficialmente para cobrir a Guerra do Vietname no terreno.

Pontos essenciais que definem esta obra:

1. O Contexto e a Missão

José da Câmara Leme viajou para o Vietname como enviado especial do Diário Popular, um dos jornais de maior tiragem na época em Portugal. Num tempo em que Portugal vivia sob o regime do Estado Novo e enfrentava as suas próprias Guerras do Ultramar em África, o olhar de um jornalista português sobre o conflito no Sudeste Asiático era carregado de simbolismo e complexidade política.

2. Do Jornal para o Livro

O livro é uma recolha das reportagens e crónicas enviadas de Saigão (atual Cidade de Ho Chi Minh) entre 1968 e 1970. No terreno, Câmara Leme não se limitou a observar; ele viveu o quotidiano da guerra, acompanhando as tropas e relatando o impacto brutal do conflito na população civil.
3. Conteúdo e Estilo

Olhar Humanista: Mais do que uma análise estratégica militar, o livro foca-se no sofrimento humano, no caos das cidades bombardeadas e na resiliência dos vietnamitas.

Testemunho Visual: As edições da Bertrand da época costumavam incluir fotografias ou um estilo gráfico que realçava o caráter de "reportagem de guerra".

Rigor e Coragem: Câmara Leme era conhecido pelo seu "olhar limpo", tentando manter a objetividade jornalística num cenário de propaganda intensa de ambos os lados (EUA e Vietcong).

4. Relevância Histórica

Este livro é uma peça fundamental para compreender como o público português da década de 70 consumia informação internacional. Existia um paralelismo inevitável (embora muitas vezes silenciado pela censura da época) entre o que se passava nas selvas do Vietname e o que os soldados portugueses viviam nas matas de Angola, Moçambique e Guiné.
Resumo da Ficha Técnica



Curiosidade: José da Câmara Leme foi uma das vozes mais respeitadas do jornalismo internacional em Portugal, e este livro permanece como um dos raros testemunhos nacionais em "primeira mão" sobre o conflito que mudou a história do século XX.

Para detalharmos uma das crónicas de José da Câmara Leme, temos de olhar para aquela que é considerada a mais emblemática e visceral da sua passagem pelo Sudeste Asiático: o relato da Ofensiva do Tet (1968), especificamente a sua vivência em Saigão.

Aqui está um resumo detalhado do tom e do conteúdo dessa crónica específica:
A Crónica do "Caos em Saigão"

Nesta crónica, Câmara Leme afasta-se da análise política e foca-se na experiência sensorial do horror. Ele descreve como a guerra, que antes parecia um ruído distante na selva, entrou subitamente pelas ruas da capital.
O Contraste Brutal

O jornalista relata a estranheza de estar sentado num café ou hotel e, minutos depois, ver o asfalto transformado num campo de batalha. Ele destaca o som incessante dos helicópteros Huey e o cheiro a pólvora misturado com o fumo dos mercados de rua.
A Proximidade da Morte

Um dos detalhes mais marcantes desta crónica é a sua descrição dos "olhos dos combatentes". Ele nota que:

Os soldados americanos pareciam "miúdos perdidos", mecanizados pela tecnologia, mas humanos no medo.

Os guerrilheiros do Vietcong eram descritos como "fantasmas" que apareciam e desapareciam, criando uma atmosfera de paranoia constante.

O Olhar sobre o Civil

Câmara Leme dedica uma parte substancial deste relato às mulheres e crianças vietnamitas. Ele escreve sobre a indiferença forçada daqueles que continuam a tentar vender fruta ou mercadorias enquanto os tiros ecoam no quarteirão ao lado. Para o autor, essa era a imagem mais trágica da guerra: a rotina que se recusa a morrer perante a destruição.
O Estilo de Escrita nesta Crónica

Diferente dos repórteres americanos, que muitas vezes focavam na logística militar, o detalhe de Câmara Leme é literário e humano. Ele utiliza frases curtas, quase como telegramas, para transmitir a urgência do momento:

"O céu de Saigão não tem estrelas esta noite; tem o rasto vermelho das balas traçadoras e o clarão súbito das explosões que iluminam os telhados de zinco." (Paráfrase do estilo do autor).

Por que foi importante?

Esta crónica foi crucial para os leitores portugueses de 1970 porque trazia uma proximidade física com a guerra. Numa altura em que Portugal recebia os corpos dos seus próprios soldados vindos de África, ler sobre a "lama e o sangue" do Vietname através da pena de um português criava uma empatia imediata e uma reflexão silenciosa sobre o custo da guerra em qualquer parte do mundo.
ID: 670635658

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Vasco Oliveira

No OLX desde maio de 2017

Esteve online ontem às 19:33

Publicado 11 de julho de 2026

Repórter no Vietname - José da Câmara Leme

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