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Tipo: Poesia
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Descrição
"ROMANCEIRO DO POVO PORTUGUÊS" - Poesia
Direcção de José Paulo Fafe
Introdução de Textos de Ângela Carrilho e Isabel Santana
Ilustrações de Rosa Carvalho
1ª Edição de 1996
Edição de PAVIA em Exclusivo para a EDP - Electricidade de Portugal
312 Páginas
Dimensões: 210 x 305 x 25 mm-
Tiragem de 2000 Exemplares
Encadernação do editor em linho creme com uma gravura a dourado e com sobrecapa de proteção.
"Romanceiro Geral do Povo Português", uma antologia de romances, glosas, décimas e outras composições da poesia tradicional portuguesa,
ESTRADAS
Por Manuel da Fonseca
Não era noite nem dia.
Eram campos campos campos
abertos num sonho quieto.
Eram cabeços redondos
de estevas adormecidas.
E barrancos entre encostas
cheias de azul e silêncio.
Silêncio que se derrama
pela terra escalavrada
e chega no horizonte
suando nuvens de sangue.
Era hora do poente.
Quase noite e quase dia.
E nos campos campos campos
abertos num sonho quieto
sequer os passos de Nena
na branca estrada se ouviam.
Passavam árvores serenas,
nem as ramagens mexiam,
e Nena, pra lá do morro,
na curva desaparecia.
Já de noite que avançava
os longes escureciam.
Já estranhos rumores de folhas
entre as esteveiras andavam,
quando, saindo um atalho,
veio à estrada um vulto esguio.
Tremeram os seios de Nena
sob o corpete justinho.
E uma oliveira amarela
debruçou-se da encosta
com os cabelos caídos!
Não era ladrão de estradas,
nem caminheiro pedinte,
nem nenhum maltês errante.
Era António Valmorim
que estava na sua frente.
— Ó nena de Montes Velhos,
se te quisessem matar
quem te haverá de acudir?
Sob este corpete justinho
uniram-se os seios de Nena.
— Vai te António Valmorim.
Não tenho medo da morte,
só tenho medo de ti.
Mas já noite fechava
a saída dos caminhos.
Já do corpete bordado
os seios de Nena saíam
— como duas flores abertas
por escuras mãos amparadas!
Aí que perfume se eleva
do campo de rosmaninho!
Aí como a boca de Nena
se entreabre fria fria!
Caiu-lhe da mão o saco
junto ao atalho das silvas
e sobre a sua cabeça
o céu de estrelas se abriu!
Ao longe subiu a lua
como um sol inda menino
passeando na charneca…
Caminhos iluminados
eram fios correndo cerros.
Era um grito agudo e alto
que uma estrela cintilou.
Eram cabeços redondos
de estevas surpreendidas.
Eram campos campos campos
abertos de espanto e sonho…
--
José Paulo Fafe nasceu em 1961. Jornalista profissional até 1999, durante cerca de 20 anos, trabalhou em diversos meios, nomeadamente no Expresso, Grande Reportagem, Sábado e Tal&Qual – aqui por três ocasiões e onde, a par de ter assinado algumas das manchetes que tiveram grande destaque na história deste semanário, integrou a sua direção a partir de 1997.
Atualmente, é consultor de marketing político, tendo atuado principalmente fora de Portugal, nomeadamente no Brasil e em outros países da América do Sul, sendo autor da obra Marketing Político, noções e outras histórias.
ESGOTADO E RARO
ÓPTIMO ESTADO - PORTES GRÁTIS
Direcção de José Paulo Fafe
Introdução de Textos de Ângela Carrilho e Isabel Santana
Ilustrações de Rosa Carvalho
1ª Edição de 1996
Edição de PAVIA em Exclusivo para a EDP - Electricidade de Portugal
312 Páginas
Dimensões: 210 x 305 x 25 mm-
Tiragem de 2000 Exemplares
Encadernação do editor em linho creme com uma gravura a dourado e com sobrecapa de proteção.
"Romanceiro Geral do Povo Português", uma antologia de romances, glosas, décimas e outras composições da poesia tradicional portuguesa,
ESTRADAS
Por Manuel da Fonseca
Não era noite nem dia.
Eram campos campos campos
abertos num sonho quieto.
Eram cabeços redondos
de estevas adormecidas.
E barrancos entre encostas
cheias de azul e silêncio.
Silêncio que se derrama
pela terra escalavrada
e chega no horizonte
suando nuvens de sangue.
Era hora do poente.
Quase noite e quase dia.
E nos campos campos campos
abertos num sonho quieto
sequer os passos de Nena
na branca estrada se ouviam.
Passavam árvores serenas,
nem as ramagens mexiam,
e Nena, pra lá do morro,
na curva desaparecia.
Já de noite que avançava
os longes escureciam.
Já estranhos rumores de folhas
entre as esteveiras andavam,
quando, saindo um atalho,
veio à estrada um vulto esguio.
Tremeram os seios de Nena
sob o corpete justinho.
E uma oliveira amarela
debruçou-se da encosta
com os cabelos caídos!
Não era ladrão de estradas,
nem caminheiro pedinte,
nem nenhum maltês errante.
Era António Valmorim
que estava na sua frente.
— Ó nena de Montes Velhos,
se te quisessem matar
quem te haverá de acudir?
Sob este corpete justinho
uniram-se os seios de Nena.
— Vai te António Valmorim.
Não tenho medo da morte,
só tenho medo de ti.
Mas já noite fechava
a saída dos caminhos.
Já do corpete bordado
os seios de Nena saíam
— como duas flores abertas
por escuras mãos amparadas!
Aí que perfume se eleva
do campo de rosmaninho!
Aí como a boca de Nena
se entreabre fria fria!
Caiu-lhe da mão o saco
junto ao atalho das silvas
e sobre a sua cabeça
o céu de estrelas se abriu!
Ao longe subiu a lua
como um sol inda menino
passeando na charneca…
Caminhos iluminados
eram fios correndo cerros.
Era um grito agudo e alto
que uma estrela cintilou.
Eram cabeços redondos
de estevas surpreendidas.
Eram campos campos campos
abertos de espanto e sonho…
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José Paulo Fafe nasceu em 1961. Jornalista profissional até 1999, durante cerca de 20 anos, trabalhou em diversos meios, nomeadamente no Expresso, Grande Reportagem, Sábado e Tal&Qual – aqui por três ocasiões e onde, a par de ter assinado algumas das manchetes que tiveram grande destaque na história deste semanário, integrou a sua direção a partir de 1997.
Atualmente, é consultor de marketing político, tendo atuado principalmente fora de Portugal, nomeadamente no Brasil e em outros países da América do Sul, sendo autor da obra Marketing Político, noções e outras histórias.
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Publicado 20 de julho de 2026
"ROMANCEIRO DO POVO PORTUGUÊS" - Dir. José Paulo Fafe - 1ª Edição 1996
25 €
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