Profissional
Estado: Usado
Descrição
Possivelmente Valente Malangatana (1936/2011) Desenho, técnica mista sobre papel,
Dim. aprox.: 75x55 cm
moldura 111x87 cm
nao assinada
Malangatana Valente Ngwenya nasce a 6 de junho de 1936, em Matalana, uma povoação do distrito de Marracuene, a 40 km de Maputo, em Moçambique. Frequenta a Escola da Missão Suíça de Matalana, onde desenhava «coisas que via nos livros». Em 1953, quando vai trabalhar como empregado de mesa para o Clube de Lourenço Marques, o velho Grémio, como era conhecido, Malangatana começa a «aguarelar as cabeças de certos carecas jogadores de bridge e de ténis».[1]
No Clube, conhece o pintor e biólogo Augusto Cabral – que o orienta quando é jovem: «(…) ainda garoto, me pediu que o ensinasse a pintar»[2] – e o célebre arquiteto Pancho Guedes, que, acreditando impreterivelmente nas potencialidades do artista, proporciona a Malangatana a saída do Clube, passando a pagar-lhe uma renda mensal e a adquirir-lhe um quadro todos os meses. Neste sentido, Malangatana desloca-se para a garagem de Pancho Guedes, junto do seu ateliê, dedicando-se inteiramente à pintura.[3] Estávamos em 1960 e Malangatana já frequentava o Núcleo de Arte[4] desde 1958.
A primeira exposição individual de Malangatana, em abril de 1961, organizada no Salão dos Organismos Económicos, em Lourenço Marques, reúne 36 obras listadas em catálogo (embora o próprio Malangatana escreva que expôs «cinquenta e sete quadros a óleo»).[5] Não obstante, interessa realçar que com esta exposição o artista vende uma série de quadros que lhe dão visibilidade como pintor.
No pequeno catálogo da exposição, Pancho Guedes, que assina o texto, destaca no universo pictórico de Malangatana a presença de monstros e figuras com um pendor mais surrealista: «A sua visão tem estranhos paralelos com a tradição europeia. Certos quadros aproximam-se dos primitivos catalães, outros das aparições macabras dos visionários holandeses e ainda outros são de um surrealismo involuntário, directo e mágico».[6]
Depois desta fase, Malangatana continua a pintar, mas dedicando-se igualmente ao desenho, regressando aos seus pesadelos, delírios e sonhos. A sua obra aproxima-se de mitos, de histórias e de objetos imaginários. Cena de Feitiço com Casal Guedes, de 1961, é uma das primeiras pinturas que destaca o conhecido estilo de Malangatana: «um dos primeiros quadros que fez repleto de gente e bichos».[7]
Em 1961, o antropólogo alemão Ulli Beier, diretor da revista Black Orpheus (revista de arte e literatura publicada na Nigéria), mostra a pintura de Malangatana, através de fotografias, no Mbari Club de Ibadan, na Nigéria, um importante centro de atividade cultural e artística. Em junho de 1962, no mesmo local, realiza aquela que é considerada a primeira exposição individual do artista fora de Lourenço Marques. No convite da exposição, Beier destaca a «análise brilhante» do arquiteto Julian Beinart sobre as obras de Malangatana, non.º 10 da Black Orpheus, de 1962, onde foram publicados os seus primeiros poemas.[8] Beier realça, assim, a força da sua pintura: «Malangatana vem de um mundo no qual a feitiçaria é uma realidade e as práticas mágicas devem ser levadas a sério no dia-a-dia. O trabalho de Malangatana é selvagem e poderoso […] contém também um forte elemento de simpatia humana e sofrimento e agonia. […] Malangatana está desejoso de comunicar através das suas pinturas. Está cheio de histórias.»
Dim. aprox.: 75x55 cm
moldura 111x87 cm
nao assinada
Malangatana Valente Ngwenya nasce a 6 de junho de 1936, em Matalana, uma povoação do distrito de Marracuene, a 40 km de Maputo, em Moçambique. Frequenta a Escola da Missão Suíça de Matalana, onde desenhava «coisas que via nos livros». Em 1953, quando vai trabalhar como empregado de mesa para o Clube de Lourenço Marques, o velho Grémio, como era conhecido, Malangatana começa a «aguarelar as cabeças de certos carecas jogadores de bridge e de ténis».[1]
No Clube, conhece o pintor e biólogo Augusto Cabral – que o orienta quando é jovem: «(…) ainda garoto, me pediu que o ensinasse a pintar»[2] – e o célebre arquiteto Pancho Guedes, que, acreditando impreterivelmente nas potencialidades do artista, proporciona a Malangatana a saída do Clube, passando a pagar-lhe uma renda mensal e a adquirir-lhe um quadro todos os meses. Neste sentido, Malangatana desloca-se para a garagem de Pancho Guedes, junto do seu ateliê, dedicando-se inteiramente à pintura.[3] Estávamos em 1960 e Malangatana já frequentava o Núcleo de Arte[4] desde 1958.
A primeira exposição individual de Malangatana, em abril de 1961, organizada no Salão dos Organismos Económicos, em Lourenço Marques, reúne 36 obras listadas em catálogo (embora o próprio Malangatana escreva que expôs «cinquenta e sete quadros a óleo»).[5] Não obstante, interessa realçar que com esta exposição o artista vende uma série de quadros que lhe dão visibilidade como pintor.
No pequeno catálogo da exposição, Pancho Guedes, que assina o texto, destaca no universo pictórico de Malangatana a presença de monstros e figuras com um pendor mais surrealista: «A sua visão tem estranhos paralelos com a tradição europeia. Certos quadros aproximam-se dos primitivos catalães, outros das aparições macabras dos visionários holandeses e ainda outros são de um surrealismo involuntário, directo e mágico».[6]
Depois desta fase, Malangatana continua a pintar, mas dedicando-se igualmente ao desenho, regressando aos seus pesadelos, delírios e sonhos. A sua obra aproxima-se de mitos, de histórias e de objetos imaginários. Cena de Feitiço com Casal Guedes, de 1961, é uma das primeiras pinturas que destaca o conhecido estilo de Malangatana: «um dos primeiros quadros que fez repleto de gente e bichos».[7]
Em 1961, o antropólogo alemão Ulli Beier, diretor da revista Black Orpheus (revista de arte e literatura publicada na Nigéria), mostra a pintura de Malangatana, através de fotografias, no Mbari Club de Ibadan, na Nigéria, um importante centro de atividade cultural e artística. Em junho de 1962, no mesmo local, realiza aquela que é considerada a primeira exposição individual do artista fora de Lourenço Marques. No convite da exposição, Beier destaca a «análise brilhante» do arquiteto Julian Beinart sobre as obras de Malangatana, non.º 10 da Black Orpheus, de 1962, onde foram publicados os seus primeiros poemas.[8] Beier realça, assim, a força da sua pintura: «Malangatana vem de um mundo no qual a feitiçaria é uma realidade e as práticas mágicas devem ser levadas a sério no dia-a-dia. O trabalho de Malangatana é selvagem e poderoso […] contém também um forte elemento de simpatia humana e sofrimento e agonia. […] Malangatana está desejoso de comunicar através das suas pinturas. Está cheio de histórias.»
ID: 656812750
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Publicado 06 de maio de 2026
Valente Malangatana (1936/2011) Desenho, técnica mista sobre papel,
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